quarta-feira, 20 de abril de 2011
segunda-feira, 18 de abril de 2011
sábado, 16 de abril de 2011
Jornada do MST mobiliza 17 estados por Reforma Agrária
15 de abril de 2011
Da Página do MST
A Jornada Nacional de Lutas pela Reforma Agrária, promovida pelo MST em todo o país, é realizada em memória aos 19 companheiros assassinados no Massacre de Eldorado de Carajás, em operação da Polícia Militar, no município de Eldorado dos Carajás, no Pará, em 1996, no dia 17 de abril.
A data é Dia Nacional de Luta pela Reforma Agrária, assinado pelo presidente Fernando Henrique Cardoso, a partir de proposta da então senadora Marina Silva.
Depois de 15 anos de um massacre de repercussão internacional, o país ainda não resolveu os problemas dos pobres do campo, que continuam sendo alvo da violência dos fazendeiros e da impunidade da justiça.
Ações nos estados
Nesta semana, 17 estados se mobilizaram na Jornada Nacional de Luta pela Reforma Agrária, somando-se, ainda, atividades em Brasília, na Cãmara Federal, em lembrança aos 15 anos de impunidade do Massacre de Eldorado dos Carajás.
São mais de 18 mil famílias em luta, totalizando mais de 70 ocupações de latifúndios, mobilizações em 13 sedes do Incra, além de fechamento de estradas, acampamentos, debates com a sociedade, audiências públicas e ações em diferentes órgãos dos governos locais, responsáveis pela questão agrária.
Ainda ocorreram reuniões com o Governo Federal, com a participação de Secretaria Geral da Presidência e os Ministérios do Desenvolvimento Agrário, Educação, dentre outros.
Na última quarta-feira (13), o ministro Gilberto Carvalho (Secretaria-Geral) anunciou o compromisso do governo em responder as pautas apresentadas até a data limite do dia 2 de maio.
Entre as reivindicações estão a recomposição do orçamento para Reforma Agrária, para as demandas da educação do campo e a renegociação das dívidas dos assentados.
Veja as nossas reivindicações aqui.
Informações sobre os estados:
Alagoas
Na quinta-feira (14), cerca de mil famílias estão promovendo ações em todo o Estado durante a Jornada Nacional de Lutas pela Reforma Agrária. A BR-101 está bloqueada nos municípios de Joaquim Gomes e Junqueiro. A agência do Banco do Brasil de São Luiz do Quitunde está ocupada pelos agricultores da região. Ainda, ações de diálogo com a população estão sendo realizadas na cidade de Delmiro Gouveia.
Bahia
Cerca de 3 mil famílias estão acampados na Secretaria de Agricultura, Irrigação e Reforma Agrária (Seagri) de Salvador, desde segunda-feira. Anteriormente, os Sem Terra estiveram no INCRA. O acampamento quer garantir o assentamento de 25 mil famílias no estado, além de educação, saúde e crédito agrícola. Desde o início do mês, 36 fazendas foram ocupadas na Bahia, envolvendo mais de 10 mil famílias no estado.
Brasília
Nesta quinta (14), às 9h, a Câmara dos Deputados foi realizado o seminário "Eldorado dos Carajás 15 anos de impunidade", no auditório Nereu Ramos, em Brasília. A atividade, proposta pelo deputado federal, Marcon (PT-RS), é uma forma de reavivar a memória daqueles que perderam a vida lutando pela realização da Reforma Agrária. O ato contou com a presença dos ministros Gilberto Carvalho (Secretaria Geral) e Maria do Rosário (Direitos Humanos), além do dirigente nacional do MST, João Paulo Rodrigues.
Ceará
O MST mantém ocupadas as sedes do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e da Secretaria de Desenvolvimento Agrário, do governo do Ceará, em Fortaleza. Os protestos mobilizam 800 famílias desde segunda-feira (11) e cobram a realização da Reforma Agrária e políticas de desenvolvimento dos assentamentos. Foram realizadas também quatro ocupações de terra no interior do Ceará. O MST reivindica uma audiência com o governador Cid Gomes (PSB).
Distrito Federal
Mais de 300 famílias organizadas pelo MST ocuparam a "Reserva D", do núcleo rural Alexandre Gusmão, em Brazlândia (DF). A área improdutiva tem 4 mil hectares e pertence ao INCRA, desde 1962. Ainda na manhã desta quinta (14), cerca de 200 famílias ocuparam a sede do Incra em Brasília.
Goiás
Desde o último domingo (10), cerca de 800 familias ocupam o INCRA, permanecendo no local até que avancem as negociações.
Maranhão
Nesta quinta (14), cerca de 400 trabalhadores ocuparam as sedes do INCRA em Imperatriz e São Luiz e permanecem no local até que as negociações avancem.
Mato Grosso
Desde segunda (11), mais de 300 famílias MST estão acampadas no Trevo do Lagarto, na saída de Várzea Grande, reivindicando legalização de assentamento no Estado e melhoria na estrutura nos locais já assentados. Na mesma manhã, os sem-terra interromperam o tráfego nas BR 364 e 163, liberando-as após o inicio do diálogo. A previsão é que o acampamento prossiga até que as negociações avancem.
Rio de Janeiro
Na tarde desta quinta feira (14), cerca de 400 famílias ocuparam a sede do Incra na capital, aonde permaneceram acampados até que as negociações avancem. Ainda, pela manhã o MST foi homenageado com a maior comenda do estado do Rio de Janeiro, a Medalha Tiradentes. A cerimônia acontece às 10h, na Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro, a partir de iniciativa do deputado Paulo Ramos (PDT) pelos 27 anos de lutas e conquistas do MST.
A homenagem é demonstra o apoio da sociedade à luta dos trabalhadores e trabalhadoras pela Reforma Agrária e a denuncia pela criminalização dos movimentos sociais e a impunidade da violência no campo.
Rio Grande do Sul
Cerca de 500 assentados e assentadas ocupam o Incra desde terça-feira (12), em Porto Alegre e permanecem no local por tempo indeterminado. À tarde, as famílias iniciaram as negociações com o governo estadual para tratar da pauta de reivindicações que foi entregue ainda em fevereiro. Foi ocupada também a fazenda Guerra, em Coqueiros do Sul. Os Sem Terra já saíram da fazenda depois de compromisso do governo Tarso.
Rondônia
Nesta quarta-feira, 500 famílias do MST ocuparam a sede da Unidade Avançada do Incra, em Ji-Paraná, em Rondônia. O protesto cobra agilidade do Governo federal no assentamento das famílias acampadas em todo o Brasil e também medidas para o desenvolvimento dos assentamentos, com a construção de escolas, estradas, poços artesianos e instalação de energia elétrica.
Santa Catarina
O MST realizou duas ocupações na manhã desta quinta-feira, na fazenda Xaxim I, localizada no município de Curitibanos, com 150 famílias, e da Fazenda Batatais, com 100 famílias, em Mafra. Militantes ainda tiveram audiências com o Incra do Estado para levar as reivindicações das famílias.
São Paulo
Cerca de 280 famílias ocuparam a Fazenda São Domingos I, no município de Sandovalina, no Pontal do Paranapanema, na manhã desta sexta-feira. A ocupação tem como principais reivindicações a criação de um projeto de assentamento na área e o assentamento imediato das mais de 100 mil famílias acampadas em todo território nacional. A fazenda foi considerada devoluta e deve ser destinada à Reforma Agrária, mas uma disputa vem adiando a criação do assentamento.
Cerca de 30 famílias do MST ocuparam na manhã uma área próxima ao município de Orlandia,na região de Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, as beiras da Rodovia do Rosário, na manhã de quinta-feira. A área é um território da União que pertencia à antiga rede de ferrovias da Ferrovia Paulista SA (Fepasa), não cumpre a função social e deve ser destinada à Reforma Agraria.
Na terça (12), mais de 200 famílias do MST distribuíram cerca de uma tonelada de alimentos para as pessoas que passavam pela Praça do Palácio do Rio Branco, sede da prefeitura de Ribeirão Preto.
Os alimentos foram produzidos sem a utilização de agrotóxicos. Os alimentos foram retirados dos assentamentos Mário Lago, em Ribeirão, e do Sepé Tiarajú, de Serrana. Os Sem Terra chegaram à cidade após uma marcha vinda do acampamento Alexandra Kollontai até Ribeirão Preto, aonde permanecem acampados
Sergipe
Cerca de 300 famílias realizou nesta quarta-feira (13), um acampamento em frente ao Incra em Aracaju. As famílias reivindicam uma Audiência Pública com a Secretaria de Estado da Agricultura e com a superintendência do Incra. Pautando agilidade nos processos de desapropriação da Fazenda Tingui que completou 14 anos de luta e resistência das 230 famílias acampadas, assim como, liberação imediata de dois lotes empresariais para as 89 famílias do Acampamento Mario Lago que há 8 anos lutam pela conquista da Terra.
Pará
Entre os dias 10 a 17 de abril, o MST realiza a Semana Nacional de Luta Camponesa e Reforma Agrária no Pará, contando uma série de atividades que marcam os 15 anos do Assentamento 17 de Abril, como também relembra o Massacre de Eldorado de Carajás. Atos políticos e culturais estão sendo realizados no Assentamento 17 de Abril e no espaço do monumento na “Curva do S”, em Eldorado dos Carajás, além do permanente Acampamento Político Pedagógico da Juventude do MST, que contará com cerca de 1.000 jovens, vindo dos acampamentos e assentamentos de o todo.
Paraíba
Desde domingo (10), cerca de mil famílias participam das mobilizações no estado, aonde ocorreram três ocupações no interior. Na manhã desta terça (12), os Sem Terra acamparam na sede do INCRA, em João Pessoa. As famílias reivindicam o assentamento das famílias acampadas e políticas públicas para os assentamentos.
Paraná
Nesta quinta (14), o MST vai realizou um ciclo de audiências públicas para discutir o desenvolvimento em áreas de reforma agrária no norte e centro-oeste do Paraná. Além dos dirigentes estaduais do movimento uma das presenças confirmadas é de Hamilton Serighelli, assessor para Assuntos Fundiários do governo do Estado. Outra autoridade convidada é o superintendente do Incra no Paraná, Nilton Bezerra Guedes. Ainda, visitas aos acampamentos e assentamentos se seguiram durante todo o dia.
Pernambuco
Cerca de 80 famílias do MST ocupou a fazenda Santa Rita, no município de São Bento do Una, agreste pernambucano, na manhã desta quinta-feira. A ocupação dá início às ações da Jornada Nacional de Lutas por Reforma Agrária no Estado de Pernambuco.
Da Página do MST
A Jornada Nacional de Lutas pela Reforma Agrária, promovida pelo MST em todo o país, é realizada em memória aos 19 companheiros assassinados no Massacre de Eldorado de Carajás, em operação da Polícia Militar, no município de Eldorado dos Carajás, no Pará, em 1996, no dia 17 de abril.
A data é Dia Nacional de Luta pela Reforma Agrária, assinado pelo presidente Fernando Henrique Cardoso, a partir de proposta da então senadora Marina Silva.
Depois de 15 anos de um massacre de repercussão internacional, o país ainda não resolveu os problemas dos pobres do campo, que continuam sendo alvo da violência dos fazendeiros e da impunidade da justiça.
Ações nos estados
Nesta semana, 17 estados se mobilizaram na Jornada Nacional de Luta pela Reforma Agrária, somando-se, ainda, atividades em Brasília, na Cãmara Federal, em lembrança aos 15 anos de impunidade do Massacre de Eldorado dos Carajás.
São mais de 18 mil famílias em luta, totalizando mais de 70 ocupações de latifúndios, mobilizações em 13 sedes do Incra, além de fechamento de estradas, acampamentos, debates com a sociedade, audiências públicas e ações em diferentes órgãos dos governos locais, responsáveis pela questão agrária.
Ainda ocorreram reuniões com o Governo Federal, com a participação de Secretaria Geral da Presidência e os Ministérios do Desenvolvimento Agrário, Educação, dentre outros.
Na última quarta-feira (13), o ministro Gilberto Carvalho (Secretaria-Geral) anunciou o compromisso do governo em responder as pautas apresentadas até a data limite do dia 2 de maio.
Entre as reivindicações estão a recomposição do orçamento para Reforma Agrária, para as demandas da educação do campo e a renegociação das dívidas dos assentados.
Veja as nossas reivindicações aqui.
Informações sobre os estados:
Alagoas
Na quinta-feira (14), cerca de mil famílias estão promovendo ações em todo o Estado durante a Jornada Nacional de Lutas pela Reforma Agrária. A BR-101 está bloqueada nos municípios de Joaquim Gomes e Junqueiro. A agência do Banco do Brasil de São Luiz do Quitunde está ocupada pelos agricultores da região. Ainda, ações de diálogo com a população estão sendo realizadas na cidade de Delmiro Gouveia.
Bahia
Cerca de 3 mil famílias estão acampados na Secretaria de Agricultura, Irrigação e Reforma Agrária (Seagri) de Salvador, desde segunda-feira. Anteriormente, os Sem Terra estiveram no INCRA. O acampamento quer garantir o assentamento de 25 mil famílias no estado, além de educação, saúde e crédito agrícola. Desde o início do mês, 36 fazendas foram ocupadas na Bahia, envolvendo mais de 10 mil famílias no estado.
Brasília
Nesta quinta (14), às 9h, a Câmara dos Deputados foi realizado o seminário "Eldorado dos Carajás 15 anos de impunidade", no auditório Nereu Ramos, em Brasília. A atividade, proposta pelo deputado federal, Marcon (PT-RS), é uma forma de reavivar a memória daqueles que perderam a vida lutando pela realização da Reforma Agrária. O ato contou com a presença dos ministros Gilberto Carvalho (Secretaria Geral) e Maria do Rosário (Direitos Humanos), além do dirigente nacional do MST, João Paulo Rodrigues.
Ceará
O MST mantém ocupadas as sedes do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e da Secretaria de Desenvolvimento Agrário, do governo do Ceará, em Fortaleza. Os protestos mobilizam 800 famílias desde segunda-feira (11) e cobram a realização da Reforma Agrária e políticas de desenvolvimento dos assentamentos. Foram realizadas também quatro ocupações de terra no interior do Ceará. O MST reivindica uma audiência com o governador Cid Gomes (PSB).
Distrito Federal
Mais de 300 famílias organizadas pelo MST ocuparam a "Reserva D", do núcleo rural Alexandre Gusmão, em Brazlândia (DF). A área improdutiva tem 4 mil hectares e pertence ao INCRA, desde 1962. Ainda na manhã desta quinta (14), cerca de 200 famílias ocuparam a sede do Incra em Brasília.
Goiás
Desde o último domingo (10), cerca de 800 familias ocupam o INCRA, permanecendo no local até que avancem as negociações.
Maranhão
Nesta quinta (14), cerca de 400 trabalhadores ocuparam as sedes do INCRA em Imperatriz e São Luiz e permanecem no local até que as negociações avancem.
Mato Grosso
Desde segunda (11), mais de 300 famílias MST estão acampadas no Trevo do Lagarto, na saída de Várzea Grande, reivindicando legalização de assentamento no Estado e melhoria na estrutura nos locais já assentados. Na mesma manhã, os sem-terra interromperam o tráfego nas BR 364 e 163, liberando-as após o inicio do diálogo. A previsão é que o acampamento prossiga até que as negociações avancem.
Rio de Janeiro
Na tarde desta quinta feira (14), cerca de 400 famílias ocuparam a sede do Incra na capital, aonde permaneceram acampados até que as negociações avancem. Ainda, pela manhã o MST foi homenageado com a maior comenda do estado do Rio de Janeiro, a Medalha Tiradentes. A cerimônia acontece às 10h, na Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro, a partir de iniciativa do deputado Paulo Ramos (PDT) pelos 27 anos de lutas e conquistas do MST.
A homenagem é demonstra o apoio da sociedade à luta dos trabalhadores e trabalhadoras pela Reforma Agrária e a denuncia pela criminalização dos movimentos sociais e a impunidade da violência no campo.
Rio Grande do Sul
Cerca de 500 assentados e assentadas ocupam o Incra desde terça-feira (12), em Porto Alegre e permanecem no local por tempo indeterminado. À tarde, as famílias iniciaram as negociações com o governo estadual para tratar da pauta de reivindicações que foi entregue ainda em fevereiro. Foi ocupada também a fazenda Guerra, em Coqueiros do Sul. Os Sem Terra já saíram da fazenda depois de compromisso do governo Tarso.
Rondônia
Nesta quarta-feira, 500 famílias do MST ocuparam a sede da Unidade Avançada do Incra, em Ji-Paraná, em Rondônia. O protesto cobra agilidade do Governo federal no assentamento das famílias acampadas em todo o Brasil e também medidas para o desenvolvimento dos assentamentos, com a construção de escolas, estradas, poços artesianos e instalação de energia elétrica.
Santa Catarina
O MST realizou duas ocupações na manhã desta quinta-feira, na fazenda Xaxim I, localizada no município de Curitibanos, com 150 famílias, e da Fazenda Batatais, com 100 famílias, em Mafra. Militantes ainda tiveram audiências com o Incra do Estado para levar as reivindicações das famílias.
São Paulo
Cerca de 280 famílias ocuparam a Fazenda São Domingos I, no município de Sandovalina, no Pontal do Paranapanema, na manhã desta sexta-feira. A ocupação tem como principais reivindicações a criação de um projeto de assentamento na área e o assentamento imediato das mais de 100 mil famílias acampadas em todo território nacional. A fazenda foi considerada devoluta e deve ser destinada à Reforma Agrária, mas uma disputa vem adiando a criação do assentamento.
Cerca de 30 famílias do MST ocuparam na manhã uma área próxima ao município de Orlandia,na região de Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, as beiras da Rodovia do Rosário, na manhã de quinta-feira. A área é um território da União que pertencia à antiga rede de ferrovias da Ferrovia Paulista SA (Fepasa), não cumpre a função social e deve ser destinada à Reforma Agraria.
Na terça (12), mais de 200 famílias do MST distribuíram cerca de uma tonelada de alimentos para as pessoas que passavam pela Praça do Palácio do Rio Branco, sede da prefeitura de Ribeirão Preto.
Os alimentos foram produzidos sem a utilização de agrotóxicos. Os alimentos foram retirados dos assentamentos Mário Lago, em Ribeirão, e do Sepé Tiarajú, de Serrana. Os Sem Terra chegaram à cidade após uma marcha vinda do acampamento Alexandra Kollontai até Ribeirão Preto, aonde permanecem acampados
Sergipe
Cerca de 300 famílias realizou nesta quarta-feira (13), um acampamento em frente ao Incra em Aracaju. As famílias reivindicam uma Audiência Pública com a Secretaria de Estado da Agricultura e com a superintendência do Incra. Pautando agilidade nos processos de desapropriação da Fazenda Tingui que completou 14 anos de luta e resistência das 230 famílias acampadas, assim como, liberação imediata de dois lotes empresariais para as 89 famílias do Acampamento Mario Lago que há 8 anos lutam pela conquista da Terra.
Pará
Entre os dias 10 a 17 de abril, o MST realiza a Semana Nacional de Luta Camponesa e Reforma Agrária no Pará, contando uma série de atividades que marcam os 15 anos do Assentamento 17 de Abril, como também relembra o Massacre de Eldorado de Carajás. Atos políticos e culturais estão sendo realizados no Assentamento 17 de Abril e no espaço do monumento na “Curva do S”, em Eldorado dos Carajás, além do permanente Acampamento Político Pedagógico da Juventude do MST, que contará com cerca de 1.000 jovens, vindo dos acampamentos e assentamentos de o todo.
Paraíba
Desde domingo (10), cerca de mil famílias participam das mobilizações no estado, aonde ocorreram três ocupações no interior. Na manhã desta terça (12), os Sem Terra acamparam na sede do INCRA, em João Pessoa. As famílias reivindicam o assentamento das famílias acampadas e políticas públicas para os assentamentos.
Paraná
Nesta quinta (14), o MST vai realizou um ciclo de audiências públicas para discutir o desenvolvimento em áreas de reforma agrária no norte e centro-oeste do Paraná. Além dos dirigentes estaduais do movimento uma das presenças confirmadas é de Hamilton Serighelli, assessor para Assuntos Fundiários do governo do Estado. Outra autoridade convidada é o superintendente do Incra no Paraná, Nilton Bezerra Guedes. Ainda, visitas aos acampamentos e assentamentos se seguiram durante todo o dia.
Pernambuco
Cerca de 80 famílias do MST ocupou a fazenda Santa Rita, no município de São Bento do Una, agreste pernambucano, na manhã desta quinta-feira. A ocupação dá início às ações da Jornada Nacional de Lutas por Reforma Agrária no Estado de Pernambuco.
sexta-feira, 8 de abril de 2011
A Monsanto acaba de comprar a Blackwaterempresa de espionagem
A Monsanto acaba de comprar a Blackwater, e ao fazê-lo prepara-se para dominar o
nascimento e a morte da vida!!!
Mais: com a panóplia de informadores, aparelhos e técnicas de espionagem da
Blackwater, a maior empresa mundial de mercenários, a Monsanto fica em condições
de controlar a acção dos activistas que, um pouco por todo o mundo, resistem à
sua dominação no negócio do agro-industrial, nomeadamente na produção e
comercializaçã o de transgénicos.
A empresa Monsanto nasceu graças aos enormes lucros obtidos pelas indústrias que
produziam armas químicas durante a duas Grandes Guerras Mundiais.
E é por demais conhecida a cruzada da Monsanto contra a natureza e a agricultura
tradicional, e os seus esforços incessantes de criar um modelo de agricultura
dependente da química e da petroquímica.
Para alcançar os seus objectivos a Monsanto não hesita em fazer uma guerra
política e jurídica contra os agricultores e os ecologistas que lhe resistam.
Não é pois de espantar o interesse estratégico da Monsanto na aquisição e compra
da maior empresa militar privada, a Blackwater. Desta forma, a Monsanto ficará
numa posição privilegiada para se servir das técnicas, redes e informações
propiciadas pelo complexo militar-industrial, de que a Blackwater é um do
pilares, para levar a cabo a sua guerra contra quem resiste ao império Monsanto.
Consultar:
Blackwater's Private Spies
http://www.thenatio n.com/article/ blackwaters- private-spies
http://foodfreedom. wordpress. com/2010/ 09/16/monsanto- blackwater- and-gm-crop- saboteurs/
http://attempter. wordpress. com/2010/ 09/22/the- vilent-corporate -state-monsanto- and-blackwater- perfect-together /
http://pecangroup. org/2010/ 09/monsanto- hires-blackwater -mercenaries/
Fonte da notícia:
Blackwater's Black Ops
Jeremy Scahill
http://www.thenatio n.com/article/ 154739/blackwate rs-black- ops
Evandro Bernardi
Tel. (96) 8111-5929
Amazônia
Musco lapis volutus non abducitur.
Discussão Libertária!! forumlibertario@ grupos.com. br
nascimento e a morte da vida!!!
Mais: com a panóplia de informadores, aparelhos e técnicas de espionagem da
Blackwater, a maior empresa mundial de mercenários, a Monsanto fica em condições
de controlar a acção dos activistas que, um pouco por todo o mundo, resistem à
sua dominação no negócio do agro-industrial, nomeadamente na produção e
comercializaçã o de transgénicos.
A empresa Monsanto nasceu graças aos enormes lucros obtidos pelas indústrias que
produziam armas químicas durante a duas Grandes Guerras Mundiais.
E é por demais conhecida a cruzada da Monsanto contra a natureza e a agricultura
tradicional, e os seus esforços incessantes de criar um modelo de agricultura
dependente da química e da petroquímica.
Para alcançar os seus objectivos a Monsanto não hesita em fazer uma guerra
política e jurídica contra os agricultores e os ecologistas que lhe resistam.
Não é pois de espantar o interesse estratégico da Monsanto na aquisição e compra
da maior empresa militar privada, a Blackwater. Desta forma, a Monsanto ficará
numa posição privilegiada para se servir das técnicas, redes e informações
propiciadas pelo complexo militar-industrial, de que a Blackwater é um do
pilares, para levar a cabo a sua guerra contra quem resiste ao império Monsanto.
Consultar:
Blackwater's Private Spies
http://www.thenatio n.com/article/ blackwaters- private-spies
http://foodfreedom. wordpress. com/2010/ 09/16/monsanto- blackwater- and-gm-crop- saboteurs/
http://attempter. wordpress. com/2010/ 09/22/the- vilent-corporate -state-monsanto- and-blackwater- perfect-together /
http://pecangroup. org/2010/ 09/monsanto- hires-blackwater -mercenaries/
Fonte da notícia:
Blackwater's Black Ops
Jeremy Scahill
http://www.thenatio n.com/article/ 154739/blackwate rs-black- ops
Evandro Bernardi
Tel. (96) 8111-5929
Amazônia
Musco lapis volutus non abducitur.
Discussão Libertária!! forumlibertario@ grupos.com. br
Querem Proibir Sementes proprias na Europa
Querem Proibir Sementes proprias na Europa em 18/04/11, Urgente!
Amigos freak news, leiam esta mensagem - vejam que coisa séria...
Esse trabalho se revela cada vez mais urgente!!!!!
Infelizmente estamos perante mais uma situação completamente escandalosa e de
proporções imprevisíveis, mando alguma informação e petição, os interesses em
jogo pelo lado das patentes são muito fortes...
>Cria-se o Ano Internacional da Biodiversidade e depois implementa-se uma coisa
>destas!!!
>
>
>
>“Sabem, por acaso, que no próximo dia 18 de Abril será aprovado em Bruxelas uma
>directiva sobre as sementes para a agricultura?
>Que, por exemplo, 75% das sementes que são lançadas à terra em cada ano são
>sementes guardadas pelos próprios agricultores e que isso será absolutamente
>proibido a partir de então?
>
>Que vão ficar certificadas meia dúzia de marcas/empresas para fornecer à
>agricultura, acabando com identidades nacionais nessa área?
>
>Que apenas podem chegar ao mercados, couves, alfaces e outros verdes, por
>exemplo, espécies provenientes dessa certificação?
>
>Que para poder-se produzir , a exploração terá de ter um mínimo de 10 hectares?
>
>Que tudo isso se faz com base no interesse de algumas empresas produtoras de
>sementes que afirmam não ter o rendimento do investimento feito em tecnologia e
>outros meios de produção, esquecendo que os seu investigadores foram formados
>em universidades públicas e a tecnologia é sempre um esforço do País e sempre
>colocada à disposição da iniciativa privada?
>
>Que a maioria dessas empresas beneficiaram de apoios económicos e financeiros
>em larga escala, que de programas oficiais da comunidade, que em empréstimos da
>banca que hoje pagam os contribuintes à conta de tornar pública uma dívida que
>é privada?
>
>Sabem que iremos ter a ASAE de novo a correr mercados municipais a analisar, a
>apreender e a inutilizas as couves que sempre comemos no nosso cozido à
>portuguesa?
>
>Isto não é a Europa porque a própria Europa não passou da nossa ilusão e não é
>mais do que uma ferramenta mais para os desígnios da luta global pelo poder.â€�
>
>
>(podem assinar
>a petição aqui: http://www.no- patents-on- seeds.org/ en/recent- activities/ sign-now)
>
>
>
>
>Tomate prestes a ser patenteado pela empresa Monsanto
>
>
>Instituto Europeu de Patentes oferece cada vez mais controlo sobre mercado das
>sementes a empresas que já detêm o monopólio do sector.
>
>
>Lisboa, 9 de Março de 2011 - Um estudo recente1 , encomendado pela coligação No
>Patents On Seeds2 e publicado hoje em Munique, revela que o Instituto Europeu
>de Patentes (IEP) tem a intenção de conceder mais patentes sobre as sementes,
>plantas e alimentos resultantes de processos de criação convencionais. O
>relatório denuncia que a divisão de análise do IEP informou, em Janeiro deste
>ano, a empresa de sementes Seminis, uma subsidiária da empresa norte-americana
>Monsanto que não há objecções de fundo ao seu pedido de obtenção de uma patente
>sobre tomates criados com métodos convencionais (EP1026942). O IEP mandou
>pareceres semelhantes a outros candidatos.
>
>
>
>“Se esta tendência não for travada, dentro de poucos anos não haverá sementes
>no mercado que não estejam protegidas por patentes. Corporações como a
>Monsanto, Syngenta ou Dupont decidirão então quais as plantas cultivadas e
>quais os alimentos vendidos na Europa e o respectivo preço,â€� diz Cristoph
>Then, um dos porta-vozes da coligação No Patents On Seeds.
>
>
>
>As conclusões do estudo surpreendem, dado que em Dezembro de 2010, baseado no
>precedente criado pelas patentes pedidas para Brócolo e Tomate, o Comité de
>Recurso do IEP deliberou que em geral os processos para a criação convencional
>de plantas não são patenteáveis. Uma decisão final sobre o caso do Brócolo é
>esperado nas próximas semanas. No entanto, a investigação recente mostra que é
>expectável que as patentes sobre plantas, animais, sementes e os alimentos
>provenientes dos mesmos vão continuar a ser concedidas na Europa. Segundo a
>interpretação da lei por parte do IEP, os processos de criação continuam a ser
>excluídos da protecção por patentes, mas paradoxalmente os produtos que
>resultam destes processos são patenteáveis.
>
>
>
>“A proibição legal sobre patentes na área da criação convencional de plantas
>foi esvaziada pela prática corrente do Instituto Europeu de Patentes,â€� afirma
>Kerstin Lanje da Misereor, uma organização Católica para o desenvolvimento.
>“Mesmo antes da decisão final sobre a patente do Brócolo, o IEP continua o seu
>lóbi a favor das multinacionais. Estas grandes corporações terão carta branca
>para abusar sistematicamente as leis das patentes para obter controlo sobre
>todos os níveis da produção de alimentos. Isto também terá impacto nas pessoas
>nos países do Sul, que já hoje sofrem as consequências do aumento continuado do
>custo da alimentação.â€�
>
>
>Segundo o estudo da No Patents On Seeds, não menos de 250 pedidos de obtenção
>de patente para organismos geneticamente modificados e cerca de 100 pedidos
>para plantas criadas convencionalmente foram registados junto do IEP em 2010.
>Os pedidos de patentes relativas à criação convencional de plantas estão a
>aumentar de ano para ano, liderados pela Monsanto, Syngenta e Dupont.
>Adicionalmente, cerca de 25 pedidos de patentes relativas à criação de animais
>deram entrada no IEP. Em 2010, este concedeu cerca de 200 patentes sobre
>sementes obtidas com e sem engenharia genética.
>
>
>Governos como o alemão, organizações não-governamentais, associações de
>agricultores e criadores independentes na Europa e no mundo têm contestado a
>concessão de patentes sobre plantas e animais. A coligação No Patents On Seeds
>pretende intensificar o seu lóbi para uma redefinição da legislação europeia
>sobre patentes. Neste sentido é hoje lançado um novo apelo de subscrição
>da petição internacional contra as patentes sobre a vida3 , da qual a Campanha
>pelas Sementes Livres4 em Portugal é uma das primeiras signatárias.
>
>
>Contactos
>
>
>No Patents On Seeds: Christoph Then, Tel +49
>151546380, info@no-patents- on-seeds. org; Kerstin
>Lanje,Kerstin.Lanje@ misereor. de; Ruth Tippe, Tel + 49
>1728963858, rtippe@keinpatent. de
>
>Campanha pelas Sementes Livres: Lanka Horstink, sementeslivres@ gaia.org. pt, +351
>910 631 664
>
>
>
>Notas ao editor
>
>1. O relatório do estudo da coligação No Patents On Seeds “Seed monopolists
>increasingly gaining market control� pode ser baixado aqui: MailScanner detectou
>uma possível tentativa de fraude de "gaia.org.pt" MailScanner detectou uma
>possível tentativa de fraude de "gaia.org.pt" www.no-patents- on-seeds. org
>
>2. No Patents On Seeds foi criada pela Greenpeace, No Patents on Life!,
>Swissaid e Misereor, entre outros. MailScanner detectou uma possível tentativa
>de fraude de "gaia.org.pt" MailScanner detectou uma possível tentativa de
>fraude de "gaia.org.pt" www.no-patents- on-seeds. org
>
>3. Carta/petição ao Parlamento Europeu e Comissão Europeia disponível
>em http://gaia. org.pt/node/ 15909
>
>4. A Campanha pelas Sementes Livres é uma iniciativa europeia com núcleos
>na maioria dos Estados-Membros da União Europeia. Em Portugal a campanha é
>dinamizada entre outros pelo Campo Aberto, GAIA, Movimento Pró-Informação para
>Cidadania e Ambiente, Plataforma Transgénicos Fora e Quercus. A Campanha visa
>conquistar, defender e promover o direito à criação própria de sementes com
>vista à promoção e protecção da diversidade de espécies agrícolas regionais, os
>interesses dos pequenos agricultores e criadores e dos agricultores ecológicos
>e ainda para garantir a segurança e soberania alimentares de todos os povos.
>Defende uma agricultura ecológica de base camponesa e de baixa intensidade onde
>não têm lugar a manipulação genética nem as patentes sobre plantas e
>animais. www.sosementes. gaia.org. pt
>
Amigos freak news, leiam esta mensagem - vejam que coisa séria...
Esse trabalho se revela cada vez mais urgente!!!!!
Infelizmente estamos perante mais uma situação completamente escandalosa e de
proporções imprevisíveis, mando alguma informação e petição, os interesses em
jogo pelo lado das patentes são muito fortes...
>Cria-se o Ano Internacional da Biodiversidade e depois implementa-se uma coisa
>destas!!!
>
>
>
>“Sabem, por acaso, que no próximo dia 18 de Abril será aprovado em Bruxelas uma
>directiva sobre as sementes para a agricultura?
>Que, por exemplo, 75% das sementes que são lançadas à terra em cada ano são
>sementes guardadas pelos próprios agricultores e que isso será absolutamente
>proibido a partir de então?
>
>Que vão ficar certificadas meia dúzia de marcas/empresas para fornecer à
>agricultura, acabando com identidades nacionais nessa área?
>
>Que apenas podem chegar ao mercados, couves, alfaces e outros verdes, por
>exemplo, espécies provenientes dessa certificação?
>
>Que para poder-se produzir , a exploração terá de ter um mínimo de 10 hectares?
>
>Que tudo isso se faz com base no interesse de algumas empresas produtoras de
>sementes que afirmam não ter o rendimento do investimento feito em tecnologia e
>outros meios de produção, esquecendo que os seu investigadores foram formados
>em universidades públicas e a tecnologia é sempre um esforço do País e sempre
>colocada à disposição da iniciativa privada?
>
>Que a maioria dessas empresas beneficiaram de apoios económicos e financeiros
>em larga escala, que de programas oficiais da comunidade, que em empréstimos da
>banca que hoje pagam os contribuintes à conta de tornar pública uma dívida que
>é privada?
>
>Sabem que iremos ter a ASAE de novo a correr mercados municipais a analisar, a
>apreender e a inutilizas as couves que sempre comemos no nosso cozido à
>portuguesa?
>
>Isto não é a Europa porque a própria Europa não passou da nossa ilusão e não é
>mais do que uma ferramenta mais para os desígnios da luta global pelo poder.â€�
>
>
>(podem assinar
>a petição aqui: http://www.no- patents-on- seeds.org/ en/recent- activities/ sign-now)
>
>
>
>
>Tomate prestes a ser patenteado pela empresa Monsanto
>
>
>Instituto Europeu de Patentes oferece cada vez mais controlo sobre mercado das
>sementes a empresas que já detêm o monopólio do sector.
>
>
>Lisboa, 9 de Março de 2011 - Um estudo recente1 , encomendado pela coligação No
>Patents On Seeds2 e publicado hoje em Munique, revela que o Instituto Europeu
>de Patentes (IEP) tem a intenção de conceder mais patentes sobre as sementes,
>plantas e alimentos resultantes de processos de criação convencionais. O
>relatório denuncia que a divisão de análise do IEP informou, em Janeiro deste
>ano, a empresa de sementes Seminis, uma subsidiária da empresa norte-americana
>Monsanto que não há objecções de fundo ao seu pedido de obtenção de uma patente
>sobre tomates criados com métodos convencionais (EP1026942). O IEP mandou
>pareceres semelhantes a outros candidatos.
>
>
>
>“Se esta tendência não for travada, dentro de poucos anos não haverá sementes
>no mercado que não estejam protegidas por patentes. Corporações como a
>Monsanto, Syngenta ou Dupont decidirão então quais as plantas cultivadas e
>quais os alimentos vendidos na Europa e o respectivo preço,â€� diz Cristoph
>Then, um dos porta-vozes da coligação No Patents On Seeds.
>
>
>
>As conclusões do estudo surpreendem, dado que em Dezembro de 2010, baseado no
>precedente criado pelas patentes pedidas para Brócolo e Tomate, o Comité de
>Recurso do IEP deliberou que em geral os processos para a criação convencional
>de plantas não são patenteáveis. Uma decisão final sobre o caso do Brócolo é
>esperado nas próximas semanas. No entanto, a investigação recente mostra que é
>expectável que as patentes sobre plantas, animais, sementes e os alimentos
>provenientes dos mesmos vão continuar a ser concedidas na Europa. Segundo a
>interpretação da lei por parte do IEP, os processos de criação continuam a ser
>excluídos da protecção por patentes, mas paradoxalmente os produtos que
>resultam destes processos são patenteáveis.
>
>
>
>“A proibição legal sobre patentes na área da criação convencional de plantas
>foi esvaziada pela prática corrente do Instituto Europeu de Patentes,â€� afirma
>Kerstin Lanje da Misereor, uma organização Católica para o desenvolvimento.
>“Mesmo antes da decisão final sobre a patente do Brócolo, o IEP continua o seu
>lóbi a favor das multinacionais. Estas grandes corporações terão carta branca
>para abusar sistematicamente as leis das patentes para obter controlo sobre
>todos os níveis da produção de alimentos. Isto também terá impacto nas pessoas
>nos países do Sul, que já hoje sofrem as consequências do aumento continuado do
>custo da alimentação.â€�
>
>
>Segundo o estudo da No Patents On Seeds, não menos de 250 pedidos de obtenção
>de patente para organismos geneticamente modificados e cerca de 100 pedidos
>para plantas criadas convencionalmente foram registados junto do IEP em 2010.
>Os pedidos de patentes relativas à criação convencional de plantas estão a
>aumentar de ano para ano, liderados pela Monsanto, Syngenta e Dupont.
>Adicionalmente, cerca de 25 pedidos de patentes relativas à criação de animais
>deram entrada no IEP. Em 2010, este concedeu cerca de 200 patentes sobre
>sementes obtidas com e sem engenharia genética.
>
>
>Governos como o alemão, organizações não-governamentais, associações de
>agricultores e criadores independentes na Europa e no mundo têm contestado a
>concessão de patentes sobre plantas e animais. A coligação No Patents On Seeds
>pretende intensificar o seu lóbi para uma redefinição da legislação europeia
>sobre patentes. Neste sentido é hoje lançado um novo apelo de subscrição
>da petição internacional contra as patentes sobre a vida3 , da qual a Campanha
>pelas Sementes Livres4 em Portugal é uma das primeiras signatárias.
>
>
>Contactos
>
>
>No Patents On Seeds: Christoph Then, Tel +49
>151546380, info@no-patents- on-seeds. org; Kerstin
>Lanje,Kerstin.Lanje@ misereor. de; Ruth Tippe, Tel + 49
>1728963858, rtippe@keinpatent. de
>
>Campanha pelas Sementes Livres: Lanka Horstink, sementeslivres@ gaia.org. pt, +351
>910 631 664
>
>
>
>Notas ao editor
>
>1. O relatório do estudo da coligação No Patents On Seeds “Seed monopolists
>increasingly gaining market control� pode ser baixado aqui: MailScanner detectou
>uma possível tentativa de fraude de "gaia.org.pt" MailScanner detectou uma
>possível tentativa de fraude de "gaia.org.pt" www.no-patents- on-seeds. org
>
>2. No Patents On Seeds foi criada pela Greenpeace, No Patents on Life!,
>Swissaid e Misereor, entre outros. MailScanner detectou uma possível tentativa
>de fraude de "gaia.org.pt" MailScanner detectou uma possível tentativa de
>fraude de "gaia.org.pt" www.no-patents- on-seeds. org
>
>3. Carta/petição ao Parlamento Europeu e Comissão Europeia disponível
>em http://gaia. org.pt/node/ 15909
>
>4. A Campanha pelas Sementes Livres é uma iniciativa europeia com núcleos
>na maioria dos Estados-Membros da União Europeia. Em Portugal a campanha é
>dinamizada entre outros pelo Campo Aberto, GAIA, Movimento Pró-Informação para
>Cidadania e Ambiente, Plataforma Transgénicos Fora e Quercus. A Campanha visa
>conquistar, defender e promover o direito à criação própria de sementes com
>vista à promoção e protecção da diversidade de espécies agrícolas regionais, os
>interesses dos pequenos agricultores e criadores e dos agricultores ecológicos
>e ainda para garantir a segurança e soberania alimentares de todos os povos.
>Defende uma agricultura ecológica de base camponesa e de baixa intensidade onde
>não têm lugar a manipulação genética nem as patentes sobre plantas e
>animais. www.sosementes. gaia.org. pt
>
segunda-feira, 4 de abril de 2011
O Lado Escuro da Comida *
Comida - Seu Prato pode poluir mais que seu carro .... !!!
Enviado por: "PAHL Pau Brasil" pahlpaubrasil@gmail.com
Sáb, 2 de Abr de 2011 6:33 pm
* *
*O Lado Escuro da Comida *
*[image: 11020904a]** Por Claudia Carmello, Barbara Axt, Eduardo Sklarz
e Alexandre
Versignassi*
A indústria da comida nunca produziu tanta tranqueira. Seu prato polui mais
que o seu carro. E estamos sendo envenenados por pesticidas. Ou não?
Descubra o que é verdade e o que é mentira nas intrigas que rondam os
alimentos
Frango. Água. Maisena modificada. Soda para cozimento. Sal. Glicose. Ácido
cítrico. Caldo de galinha. Fosfato de sódio. Antiespumante
dimetilpolissiloxan o. Óleo hidrogenado de soja com antioxidante TBHQ. Isso
agregado a mais 26 ingredientes é o que conhecemos pelo nome de nugget. A
receita é produto de um sistema que faz de lasanha congelada a tomates mais
ou menos do mesmo jeito que se fabricam canetas, ventiladores ou motos. É a
agropecuária industrial. Ela começa nos combustíveis fósseis. Petróleo
carvão ou, mais comum hoje, gás natural são a matéria-prima dos
fertilizantes. E os fertilizantes são a matéria-prima de tudo o que você
come hoje, seja alface, seja dois hambúrgueres, alface, queijo e molho
especial - no pão com gergelim.
Verdade - Fertilizante mata
Mata peixes, não pes-soas. Mas mata. Resíduos de fertilizante vão parar em
rios, e daí para o mar. Lá eles fertilizam algas e elas crescem. Mas isso
não é bom: quando elas morrem, sua decomposição rouba oxigênio da água. E os
peixes sufocam. São as chamadas zonas mortas. Existem quase 400 delas nos
mares.
Sem eles para anabolizar as plantações, não haveria comida para todo mundo.
O problema é que, com eles, podemos ficar sem mundo. "Na porteira da
fazenda, ainda antes do uso, um saco de 100 quilos de fertilizante químico
já emitiu 4 vezes esse peso em CO2 para ser fabricado. Depois que aplicam no
solo, pelo menos 1 quilo daquele nitrogênio (elemento principal do
fertilizante) é liberado para o ar em forma de óxido nitroso, um gás quase
300 vezes pior para o aquecimento global do que o CO2", diz o agrônomo
Segundo Urquiaga, da Embrapa. Nessa toada, a agropecuária consegue emitir
sozinha 33% dos gases-estufa do mundo, mais do que todos os carros, trens,
navios e aviões juntos, que somam 14%.
Além disso, os fertilizantes deixam resíduos debaixo da terra que chegam aos
lençóis freáticos e acabam no mar. Mas isso é pouco comparado ao que a
comida moderna pode fazer ao seu corpo. Voltemos ao nugget.
VOCÊ É FEITO DE MILHO E SOJA
Os empanados de frango são um dos ícones da indústria de alimentos, baseada,
como qualquer outra, em mecanização, uniformização, produtividade. Essas
exigências levam a um fato curioso: há quase 40 ingredientes diferentes em
um nugget, mas 56% dele é milho.
A maisena é farinha de amido de milho - o ácido cítrico, a dextrose, a
lecitina, tudo é feito com moléculas desse grão. Ou com grãos de soja,
dependendo do que estiver mais em conta no mercado de commodities agrícolas
(pensando bem, até a galinha é feita de milho e soja - é isso que ela come
de ração. Metade da área plantada no Brasil é dominada pela soja, que
aparece em 70% dos alimentos processados. E um terço das plantações
americanas são lavouras de milho Isso acontece porque soja e milho produzem
mais calorias que a maioria das plantas; são resistentes ao transporte e a
anos de estocagem, entre outras vantagens competitivas.
Mas qual é o problema de chegar a essa variedade de comida com apenas dois
grãos? Os bois podem dar uma primeira resposta.
No mundo desenvolvido, praticamente toda a carne sai das fazendas de
confinamento - galpões onde os bois passam a vida praticamente empilhados
uns nos outros, só engordando. Nesses galpões, a comida do boi não é capim,
mas ração à base de milho e soja. O inconveniente é que ele não come grãos.
Industrialmente falando, um boi é uma máquina que transforma celulose de
capim (algo que o nosso organismo não digere) em proteína comestível - a
carne dele. Mas capim é bem menos calórico que milho e soja. Para ele
crescer rápido e ir logo para o corte, tem que ser ração mesmo. Só que o
metabolismo do bicho pena para processar tanta comida indigesta. A
fermentação dos grãos no sistema digestivo dele pode causar um inchaço do
rúmen (o estômago do boi) que pressiona os pulmões e pode matar o animal.
Para combater isso, os criadores enchem os bois de antibiótico: 70% dos
antimicrobiais usados nos EUA são misturados às rações de animais. O
problema é que isso cria superbactérias resistentes a antibióticos. É Darwin
em ação: os antibióticos nem sempre matam todas as bactérias. Às vezes
sobram algumas que, por mutação genética, nasceram imunes ao remédio. Sem a
concorrência de outras bactérias, elas se reproduzem à vontade. Nasce uma
cepa de micro-organismo mais resistente a qualquer antibiótico. Ela podem
ser letal. Ainda mais se for parar na prateleira do supermercado.
Foi o que aconteceu com uma variedade agressiva de Escherichia coli. Em
2001, o garoto americano Kevin Kowalcyk, de 2 anos de idade, comeu um
hambúrguer contaminado por essa bactéria e morreu 12 dias depois. O caso
produziu algo inusitado: um recall de hambúrguer.
No Brasil isso não é um problema. Só 6% do nosso abate vem de confinamentos,
contra 99% nos EUA. Aqui os bois ficam soltos. Bom para eles, pior para as
bactérias. Mas pior também para as florestas. Nossos pastos são formados à
custa de desmatamento da Amazônia e do cerrado. E isso leva o Brasil ao
posto de 5º maior emissor de CO2 do mundo. Quase 52% dos nossos gases-estufa
vêm do desmatamento. Para frear isso de forma realista (porque parar de
criar bois e de exportar carne não tem nada de realista), a solução é o
confinamento. Só que essa modalidade de criação também não é a panaceia para
o ambiente. Os galpões de gado causam tantos impactos quanto uma cidade
grande: lixo, esgoto, rios poluídos... Até mais, na verdade. Só os animais
confinados que existem hoje nos EUA produzem 130 vezes mais dejetos do que
todos os americanos juntos.
Todo esse cocô vai para grandes lagos de esterco, que servem de parque
aquático para bactérias: elas podem passar desses lagos para o solo de uma
lavoura. Podem e conseguem. Só de recalls de vegetais contaminados por E.
coli já foram 20 na última década nos EUA. Em 2009, um surto de salmonela
matou 8 pessoas e adoeceu 600 por lá. Grave. Mas não deixam de ser casos
isolados. O maior problema da comida hoje é outro: o fator Roberto Carlos.
IMORAL E ENGORDA
O Rei estava certo quando disse que tudo o que ele gosta é imoral, ilegal ou
engorda. Comida gostosa, mas gostosa mesmo, viciante, só é boa porque é
calórica - os aspargos que nos perdoem, mas gordura e açúcar são
fundamentais. Não para a saúde, mas para o cérebro. Ele gosta mesmo é de
porcaria. Nosso cérebro nos recompensa com doses de dopamina cada vez que
comemos algo bem calórico, energético. É que no passado isso era questão de
sobrevivência - havia pouca comida disponível, então quanto mais calórica
ela fosse, melhor. A massa cinzenta dá essa mesma recompensa dopamínica
depois do sexo ou de drogas pesadas. Por isso mesmo basta experimentar
qualquer uma dessas coisas uma única vez para ter vontade de repetir. Com
comidas energéticas, recheadas de carboidratos ou gorduras, não é diferente,
você sabe. É impossível comer um só.
Mito - Frango com hormônio
Uma das lendas mais persistentes é a de que o frango é entupido de
hormônios. E que esse hormônio pode ser letal para nós. Não. Não rola
hormônio. "O segredo para o frango crescer tão rápido está na genética", diz
o engenheiro agrônomo Gerson Neudí Cheuermann, da Embrapa. A fórmula da
ração do frango não é segredo: além de milho, soja e minerais, entram
aminoácidos produzidos em laboratório (metionina e lisina), que servem de
fato para bombar o galináceo, mas não fazem mal para quem come.
E a indústria dos alimentos se formou justamente em torno das comidas que
mais liberam dopamina. Isso começou no final do século 19, com o início da
produção em massa de açúcar e farinha de trigo refinada. Refinar uma planta
significa estirpá-la de suas fibras, proteínas, minerais e deixar só o que
interessa (pelo menos do ponto de vista do cérebro): carboidrato puro,
energia hiperconcentrada. Depois vieram conservantes mais potentes (como o
antiespumante e o antioxidante lá do nugget) e o processamento artificial,
com máquinas que transformam carcaças de bichos e um monte de subprodutos de
milho e de soja em coisas bonitas e de sabor viciante. Começava a era da
comida industrializada. A nossa era.
E a produção de alimentos nunca mais seria a mesma. O cérebro do consumidor
guia a indústria dos alimentos. Esse cérebro prefere comida turbinada por
açúcar e gordura, certo? Então a seleção natural age de novo, mas dessa vez
no mercado: só sobrevive quem produz comida mais gostosa. E a mais gostosa é
a gorda (olha o Robertão aí de novo!). Natural, então, que o mercado de
comida processada acabasse dominado por bombas calóricas. Nosso amigo
nugget, por exemplo, recebe doses extras de gordura (óleo hidrogenado de
soja) e também de açúcar (a glicose). Mais do que alimentar, a função dele é
dar prazer.
Mas é um prazer que pode custar caro. Um "suco natural" industrializado, por
exemplo, pode ter até duas colheres de açúcar para cada 200 mililitros.
Nosso corpo não é adaptado para suportar doses cavalares como essa o tempo
todo. A produção de insulina, por exemplo, pode sobrecarregar e dar pau - e
sem esse hormônio, que gerencia o processamento de acúcar no organismo, você
se torna diabético.
Nos EUA, 1 em cada 10 adultos tem diabetes - duas vezes mais do que em 1995.
E a perspectiva é que essa proporção triplique nas próximas décadas, agora
que 1,6 milhão de novos casos são diagnosticados por ano. Para completar,
70% da população é considerada acima do peso. E nós aqui no Brasil estamos
indo por esse caminho. Quanto mais a economia cresce, maior fica a nossa
cintura. No meio dos anos 70, quando o IBGE mediu pela primeira vez o peso
da população, 24% dos brasileiros estavam acima do peso. Hoje são 50%.
O aumento de peso pode ser o resultado mais visível de uma dieta inadequada.
Mas quem está na parcela sem pneuzinhos da população também corre riscos.
Principalmente por causa de outro ingrediente- chefe da comida
industrializada: o sal. "A maior parte do sal que a gente consome não está
nos saleiros, mas nos alimentos processados" diz Michael Klag, diretor da
Faculdade de Saúde Pública da Universidade John Hopkins, nos EUA. O sal é
adicionado para ajudar a preservar o produto e, principalmente, reforçar o
sabor. E ele acaba onde você menos espera. Está nos cereais de café da manhã
e até nos achocolatados - para deixar o chocolate menos enjoativo.
A Organização Mundial da Saúde recomenda o consumo de, no máximo, 6 gramas
de sal por dia para evitar pressão alta - e as doenças que ela causa. Os
brasileiros comem o dobro disso. De acordo com a Ação Mundial pelo Sal e
pela Saúde, uma organização que reúne membros em 81 países para tentar
diminuir o consumo global de sal, se a população mundial comesse apenas os
tais 6 gramas de sal por dia, haveria 24% menos casos de ataques cardíacos
pelo mundo e 18% menos derrames.
Os hábitos alimentares de hoje podem estar contribuindo também para um
aumento em alergias alimentares e doenças intestinais. Para você ter uma
ideia, o número de pessoas internadas em hospitais por causa de alergias nos
EUA quadruplicou entre 2000 e 2006 (de 2 600 para 9 500 pessoas por ano). O
maior suspeito aí é a falta de fibras da comida industrializada.
Uma pesquisa liderada por Paolo Lionetti, da Universidade de Florença,
analisou a flora intestinal de crianças italianas e comparou com a de
garotos de Burkina Fasso, na África, que têm uma dieta rica em fibras e
nunca viram comida processada. Então descobriu que as crianças africanas
tinham uma flora intestinal mais variada, capaz de protegê-las de uma série
de doenças. "Acredito que a dieta dos países ocidentais tem um papel
importante no aumento das alergias e infecções intestinais" , diz Paolo.
Os nuggets, pizzas congeladas e cia. não são o único problema. A comida
reconhecidamente saudável também tem seus pontos fracos. Dados dos governos
americano e inglês mostram quedas nas quantidades de ferro, vitamina C,
riboflavina, cálcio, zinco, selênio e outros nutrientes em dezenas de
colheitas monitoradas desde os anos 50. Hoje, você tem que comer 3 maçãs
para ingerir a mesma quantidade de ferro, por exemplo, que uma maçã
fornecia. São várias as razões que poderiam justificar esse fenômeno. Parte
da explicação pode vir dos critérios que usamos no melhoramento genético,
selecionando variedades de milho, soja e outras plantas segundo a
produtividade, não a qualidade nutricional. Pior: nossas plantas criadas à
base de fertilizantes, como crescem mais rápido, têm raízes menores e menos
tempo para acumular nutrientes além daqueles que vêm no próprio
fertilizante. Mais: poupadas de lutar contra insetos pelo uso de pesticidas,
estariam produzindo menos polifenóis - substâncias que usam como mecanismo
de defesa e que nos beneficiam por suas ações anti-inflamató rias e
antialérgicas.
*[image: 11020904b]VENENO NA FEIRA*
Tão fundamentais para a agricultura moderna quanto os fertilizantes são os
pesticidas. Ainda mais com as monoculturas sem fim de hoje. Imagine o que
acontece quando um inseto que tem na raiz da soja seu prato preferido topa
com hectares e mais hectares onde só existe essa planta? Ele não arreda mais
o pé dali, se reproduz vertiginosamente e traça tudo o que vê pela frente:
eis uma praga agrícola. Elas não são novidade. Mas claro que, com a demanda
por alimentos que existe hoje, seja ou não comida industrializada, não dá
para abrir mão deles.
Verdade - Dá para se proteger dos agrotóxicos veja como:
1. Prefira produtos locais
Frutas importadas, por exemplo, terão mais químicos para suportar a viagem e
chegar em bom estado ao Brasil.
2. Lave as frutas com esponja
Só água pode não ser o bastante para tirar os resíduos de pesticida.
3. Compre produtos da época
As frutas que não são da estação recebem mais agrotóxicos para durar além da
conta.
4. Evite a beleza exagerada
Desconfie da fruta que parece obra de arte. Ela pode ter recebido mais
agrotóxicos.
No Brasil, menos ainda. O surgimento de novas pragas, como a ferrugem de
soja (um fungo nocivo), transformou o país no maior consumidor de
agrotóxicos do mundo. Superamos os EUA nesse quesito em 2008, quando o
mercado de defensivos agrícolas movimentou mais de US$ 7 bilhões no país. A
façanha tem consequências. Em junho passado, a Agência Nacional de
Vigilância Sanitária (Anvisa) divulgou o relatório anual sobre a presença de
resíduos de agrotóxicos nas frutas, verduras, legumes e grãos que o
brasileiro consome. Das 3 130 amostras de 20 culturas de alimentos estudadas
pela agência em 2009, 29% apresentaram alguma irregularidade. Mas não é
motivo para pânico. "O fato de um alimento apresentar resíduos de pesticida
além do limite estabelecido não indica necessariamente risco para a saúde",
diz a toxicologista Eloisa Caldas, da Universidade de Brasília. O ponto,
segundo ela, é evitar uma dieta monótona. Quanto mais variada sua
alimentação, menos chance você tem de comer o mesmo pesticida. E isso
diminui o risco de intoxicação.
Mais seguro ainda é comprar alimentos orgânicos. Eles não recebem veneno em
nenhum momento, desde o plantio até a gôndola do supermercado. Nem veneno
nem fertilizante químico. Então são mais saudáveis para o ambiente. E a
quantidade de nutrientes por centímetro cúbico é maior. O problema é que a
produção da lavoura orgânica é, em média, 30% menor que a convencional - e
os vegetais que saem dela acabam 30% mais caros.
Estudos mostram que, mesmo assim, daria para alimentar o mundo só com
orgânicos. Mas só se o consumo de carne diminuir. O que uma coisa tem a ver
com a outra? É que boa parte do que plantamos é para alimentar animais de
criação. Uma peça de picanha, por exemplo, exige 75 quilos de vegetais para
ser produzida. Só que o mundo está cada vez mais carnívoro - a China, depois
de ter virado a 2ª maior economia do mundo, passou a comer 25% de toda a
carne do planeta. Hoje temos 20 bilhões de animais de criação, e a
perspectiva da ONU é que esse número vá dobrar até 2050.
Até existe um tipo de carne que não depende nada das plantações: os peixes
selvagens. Mas eles não são a alternativa. Primeiro, porque os mais nobres
estão acabando. Algumas espécies de atum e de bacalhau não devem escapar da
extinção. Segundo, porque existe o perigo da contaminação por mercúrio, pelo
menos para quem come certos peixes com frequência.
Cuidado: até os peixes mais saudáveis podem estar contaminados.
Nível de mercúrio
Quanto mais alta a concentração, maior o perigo para quem come com
frequência*
Moderado
Atum em lata
Bacalhau
Alto
Atum DE SUSHI
Anchova
Muito alto
Cação
Peixe-espada
Funciona assim: embora o metal possa ser encontrado em todos os ambientes, é
no meio aquático que mora o perigo. Graças à ação de bactérias, sobretudo em
zonas alagáveis, o mercúrio é transformado em sua forma orgânica e mais
perigosa: o metilmercúrio. Nessa versão, ele penetra nas algas. As plantas
aquáticas têm baixo teor de mercúrio, mas os peixes herbívoros (que se
alimentam dessas plantas) têm um pouco mais. E os predadores (que comem os
herbívoros) acabam com um índice bem maior. Quanto mais perto do topo da
cadeia alimentar, mais contaminado tende a ser o peixe. Não significa que
todo peixe grande esteja contaminado. Se ele vive numa região livre de
mercúrio, o que é comum, não tem problema. Mas claro: quem vê cara não vê
contaminação. Você só tem como saber o estado dos peixes que comeu se acabar
intoxicado - os sintomas são tremores, vertigem, perda de memória, problemas
digestivos e renais, entre outros. Não, não precisa parar de comer esses
peixes, só ter alguma moderação (veja no quadro). Mas o risco não deve
diminuir - o mercúrio é um resíduo das termelétricas. E a maior parte do
mundo ainda é movida a carvão...
*[image: 11020904c]*Peixes contaminados, overdose de gordura e açúcar,
fertilizantes que dependem de combustíveis fósseis e destroem
ecossistemas. .. Estamos no fim da linha, então? Sim.
Mas já estivemos antes. Ontem mesmo era 1960, o mundo tinha 3 bilhões de
habitantes e uma certeza: estávamos à beira de um colapso. Mais um pouco e
não teria comida para todo mundo. Mas não. Chegamos a 6,5 bilhões de pessoas
graças justamente à globalização dos fertilizantes e da comida
industrializada - a produção em massa barateou os alimentos. Esse boom
alimentício ficou conhecido como Revolução Verde. Agora, precisamos de mais
revoluções. Uma, a da conscientizaçã o sobre os perigos do fast food e da
comida processada, já começou. E a ciência tem feito seu papel também,
pesquisando alternativas que vão de plantas geneticamente modificadas que
dispensam fertilizantes e pesticidas até carne de laboratório - um meio de
entregar proteínas sem o intermédio de animais. Seria uma espécie de segunda
Revolução Industrial da comida. Não sabemos como nem quando ela vai
acontecer. Mas há uma certeza: não podemos ser bestas de esperar pelo
colapso.
Mito - Salmão com corante
O salmão é um peixe branco por natureza. O rosa vem da astaxantina, um
pigmento que existe em algas microscópicas. Primeiro o camarão come essas
algas, depois o salmão come o camarão e fica rosado. Só que os peixes
criados em tanques não comem camarão. Deveriam ficar brancos a vida toda.
Mas não. Eles são rosa também (menos, mas são). Corante? Não exatamente: o
que fazem é colocar astaxantina na ração dos peixes - ela pode ser sintética
ou vir daquelas microalgas mesmo.
• Cada 100 quilos de fertilizante químico emite 540 quilos de Co2 para ser
fabricado.
• 1/3 das emissões de gases-estufa vem da agropecuária.
• Em 1940, gastávamos 0,5 caloria de combustível fóssil para produzir 1
caloria de comida, hoje gastamos 20 vezes mais.
• Hoje, A área desmatada na Amazônia para criar GADO equivale à de 100
cidades de São Paulo.
• 2/3 de todos os antibióticos fabricados nos EUA vão para a alimentação do
gado. Isso cria superbactérias.
• 80% do pimentão vendido no Brasil tem mais agrotóxico que o permitido.
• Depois vêm: 56,4% - UVA / 54,8% - PEPINO / 50,8% - MORANGO
• As frutas anabolizadas por fertilizantes têm menos nutrientes como ferro,
vitamina C, cálcio e zinco que as orgânicas.
* Mesmo o consumo diário pode não trazer riscos. Mas, se alguns desses
peixes formam a base da sua alimentação, vale conversar com um médico sobre
os perigos. ** Os mais usados nos restaurantes japoneses são o atum-branco e
atum-amarelo. O de lata costuma ser da espécie skipjack, menor (e menos
suscetível ao mercúrio).
Para saber mais
O Dilema do Onívoro
Michael Pollan, Intrínseca, 2007.
Uma História Comestível da Humanidade
Tom Standage, Zahar, 2010.
Enviado por: "PAHL Pau Brasil" pahlpaubrasil@gmail.com
Sáb, 2 de Abr de 2011 6:33 pm
* *
*O Lado Escuro da Comida *
*[image: 11020904a]** Por Claudia Carmello, Barbara Axt, Eduardo Sklarz
e Alexandre
Versignassi*
A indústria da comida nunca produziu tanta tranqueira. Seu prato polui mais
que o seu carro. E estamos sendo envenenados por pesticidas. Ou não?
Descubra o que é verdade e o que é mentira nas intrigas que rondam os
alimentos
Frango. Água. Maisena modificada. Soda para cozimento. Sal. Glicose. Ácido
cítrico. Caldo de galinha. Fosfato de sódio. Antiespumante
dimetilpolissiloxan o. Óleo hidrogenado de soja com antioxidante TBHQ. Isso
agregado a mais 26 ingredientes é o que conhecemos pelo nome de nugget. A
receita é produto de um sistema que faz de lasanha congelada a tomates mais
ou menos do mesmo jeito que se fabricam canetas, ventiladores ou motos. É a
agropecuária industrial. Ela começa nos combustíveis fósseis. Petróleo
carvão ou, mais comum hoje, gás natural são a matéria-prima dos
fertilizantes. E os fertilizantes são a matéria-prima de tudo o que você
come hoje, seja alface, seja dois hambúrgueres, alface, queijo e molho
especial - no pão com gergelim.
Verdade - Fertilizante mata
Mata peixes, não pes-soas. Mas mata. Resíduos de fertilizante vão parar em
rios, e daí para o mar. Lá eles fertilizam algas e elas crescem. Mas isso
não é bom: quando elas morrem, sua decomposição rouba oxigênio da água. E os
peixes sufocam. São as chamadas zonas mortas. Existem quase 400 delas nos
mares.
Sem eles para anabolizar as plantações, não haveria comida para todo mundo.
O problema é que, com eles, podemos ficar sem mundo. "Na porteira da
fazenda, ainda antes do uso, um saco de 100 quilos de fertilizante químico
já emitiu 4 vezes esse peso em CO2 para ser fabricado. Depois que aplicam no
solo, pelo menos 1 quilo daquele nitrogênio (elemento principal do
fertilizante) é liberado para o ar em forma de óxido nitroso, um gás quase
300 vezes pior para o aquecimento global do que o CO2", diz o agrônomo
Segundo Urquiaga, da Embrapa. Nessa toada, a agropecuária consegue emitir
sozinha 33% dos gases-estufa do mundo, mais do que todos os carros, trens,
navios e aviões juntos, que somam 14%.
Além disso, os fertilizantes deixam resíduos debaixo da terra que chegam aos
lençóis freáticos e acabam no mar. Mas isso é pouco comparado ao que a
comida moderna pode fazer ao seu corpo. Voltemos ao nugget.
VOCÊ É FEITO DE MILHO E SOJA
Os empanados de frango são um dos ícones da indústria de alimentos, baseada,
como qualquer outra, em mecanização, uniformização, produtividade. Essas
exigências levam a um fato curioso: há quase 40 ingredientes diferentes em
um nugget, mas 56% dele é milho.
A maisena é farinha de amido de milho - o ácido cítrico, a dextrose, a
lecitina, tudo é feito com moléculas desse grão. Ou com grãos de soja,
dependendo do que estiver mais em conta no mercado de commodities agrícolas
(pensando bem, até a galinha é feita de milho e soja - é isso que ela come
de ração. Metade da área plantada no Brasil é dominada pela soja, que
aparece em 70% dos alimentos processados. E um terço das plantações
americanas são lavouras de milho Isso acontece porque soja e milho produzem
mais calorias que a maioria das plantas; são resistentes ao transporte e a
anos de estocagem, entre outras vantagens competitivas.
Mas qual é o problema de chegar a essa variedade de comida com apenas dois
grãos? Os bois podem dar uma primeira resposta.
No mundo desenvolvido, praticamente toda a carne sai das fazendas de
confinamento - galpões onde os bois passam a vida praticamente empilhados
uns nos outros, só engordando. Nesses galpões, a comida do boi não é capim,
mas ração à base de milho e soja. O inconveniente é que ele não come grãos.
Industrialmente falando, um boi é uma máquina que transforma celulose de
capim (algo que o nosso organismo não digere) em proteína comestível - a
carne dele. Mas capim é bem menos calórico que milho e soja. Para ele
crescer rápido e ir logo para o corte, tem que ser ração mesmo. Só que o
metabolismo do bicho pena para processar tanta comida indigesta. A
fermentação dos grãos no sistema digestivo dele pode causar um inchaço do
rúmen (o estômago do boi) que pressiona os pulmões e pode matar o animal.
Para combater isso, os criadores enchem os bois de antibiótico: 70% dos
antimicrobiais usados nos EUA são misturados às rações de animais. O
problema é que isso cria superbactérias resistentes a antibióticos. É Darwin
em ação: os antibióticos nem sempre matam todas as bactérias. Às vezes
sobram algumas que, por mutação genética, nasceram imunes ao remédio. Sem a
concorrência de outras bactérias, elas se reproduzem à vontade. Nasce uma
cepa de micro-organismo mais resistente a qualquer antibiótico. Ela podem
ser letal. Ainda mais se for parar na prateleira do supermercado.
Foi o que aconteceu com uma variedade agressiva de Escherichia coli. Em
2001, o garoto americano Kevin Kowalcyk, de 2 anos de idade, comeu um
hambúrguer contaminado por essa bactéria e morreu 12 dias depois. O caso
produziu algo inusitado: um recall de hambúrguer.
No Brasil isso não é um problema. Só 6% do nosso abate vem de confinamentos,
contra 99% nos EUA. Aqui os bois ficam soltos. Bom para eles, pior para as
bactérias. Mas pior também para as florestas. Nossos pastos são formados à
custa de desmatamento da Amazônia e do cerrado. E isso leva o Brasil ao
posto de 5º maior emissor de CO2 do mundo. Quase 52% dos nossos gases-estufa
vêm do desmatamento. Para frear isso de forma realista (porque parar de
criar bois e de exportar carne não tem nada de realista), a solução é o
confinamento. Só que essa modalidade de criação também não é a panaceia para
o ambiente. Os galpões de gado causam tantos impactos quanto uma cidade
grande: lixo, esgoto, rios poluídos... Até mais, na verdade. Só os animais
confinados que existem hoje nos EUA produzem 130 vezes mais dejetos do que
todos os americanos juntos.
Todo esse cocô vai para grandes lagos de esterco, que servem de parque
aquático para bactérias: elas podem passar desses lagos para o solo de uma
lavoura. Podem e conseguem. Só de recalls de vegetais contaminados por E.
coli já foram 20 na última década nos EUA. Em 2009, um surto de salmonela
matou 8 pessoas e adoeceu 600 por lá. Grave. Mas não deixam de ser casos
isolados. O maior problema da comida hoje é outro: o fator Roberto Carlos.
IMORAL E ENGORDA
O Rei estava certo quando disse que tudo o que ele gosta é imoral, ilegal ou
engorda. Comida gostosa, mas gostosa mesmo, viciante, só é boa porque é
calórica - os aspargos que nos perdoem, mas gordura e açúcar são
fundamentais. Não para a saúde, mas para o cérebro. Ele gosta mesmo é de
porcaria. Nosso cérebro nos recompensa com doses de dopamina cada vez que
comemos algo bem calórico, energético. É que no passado isso era questão de
sobrevivência - havia pouca comida disponível, então quanto mais calórica
ela fosse, melhor. A massa cinzenta dá essa mesma recompensa dopamínica
depois do sexo ou de drogas pesadas. Por isso mesmo basta experimentar
qualquer uma dessas coisas uma única vez para ter vontade de repetir. Com
comidas energéticas, recheadas de carboidratos ou gorduras, não é diferente,
você sabe. É impossível comer um só.
Mito - Frango com hormônio
Uma das lendas mais persistentes é a de que o frango é entupido de
hormônios. E que esse hormônio pode ser letal para nós. Não. Não rola
hormônio. "O segredo para o frango crescer tão rápido está na genética", diz
o engenheiro agrônomo Gerson Neudí Cheuermann, da Embrapa. A fórmula da
ração do frango não é segredo: além de milho, soja e minerais, entram
aminoácidos produzidos em laboratório (metionina e lisina), que servem de
fato para bombar o galináceo, mas não fazem mal para quem come.
E a indústria dos alimentos se formou justamente em torno das comidas que
mais liberam dopamina. Isso começou no final do século 19, com o início da
produção em massa de açúcar e farinha de trigo refinada. Refinar uma planta
significa estirpá-la de suas fibras, proteínas, minerais e deixar só o que
interessa (pelo menos do ponto de vista do cérebro): carboidrato puro,
energia hiperconcentrada. Depois vieram conservantes mais potentes (como o
antiespumante e o antioxidante lá do nugget) e o processamento artificial,
com máquinas que transformam carcaças de bichos e um monte de subprodutos de
milho e de soja em coisas bonitas e de sabor viciante. Começava a era da
comida industrializada. A nossa era.
E a produção de alimentos nunca mais seria a mesma. O cérebro do consumidor
guia a indústria dos alimentos. Esse cérebro prefere comida turbinada por
açúcar e gordura, certo? Então a seleção natural age de novo, mas dessa vez
no mercado: só sobrevive quem produz comida mais gostosa. E a mais gostosa é
a gorda (olha o Robertão aí de novo!). Natural, então, que o mercado de
comida processada acabasse dominado por bombas calóricas. Nosso amigo
nugget, por exemplo, recebe doses extras de gordura (óleo hidrogenado de
soja) e também de açúcar (a glicose). Mais do que alimentar, a função dele é
dar prazer.
Mas é um prazer que pode custar caro. Um "suco natural" industrializado, por
exemplo, pode ter até duas colheres de açúcar para cada 200 mililitros.
Nosso corpo não é adaptado para suportar doses cavalares como essa o tempo
todo. A produção de insulina, por exemplo, pode sobrecarregar e dar pau - e
sem esse hormônio, que gerencia o processamento de acúcar no organismo, você
se torna diabético.
Nos EUA, 1 em cada 10 adultos tem diabetes - duas vezes mais do que em 1995.
E a perspectiva é que essa proporção triplique nas próximas décadas, agora
que 1,6 milhão de novos casos são diagnosticados por ano. Para completar,
70% da população é considerada acima do peso. E nós aqui no Brasil estamos
indo por esse caminho. Quanto mais a economia cresce, maior fica a nossa
cintura. No meio dos anos 70, quando o IBGE mediu pela primeira vez o peso
da população, 24% dos brasileiros estavam acima do peso. Hoje são 50%.
O aumento de peso pode ser o resultado mais visível de uma dieta inadequada.
Mas quem está na parcela sem pneuzinhos da população também corre riscos.
Principalmente por causa de outro ingrediente- chefe da comida
industrializada: o sal. "A maior parte do sal que a gente consome não está
nos saleiros, mas nos alimentos processados" diz Michael Klag, diretor da
Faculdade de Saúde Pública da Universidade John Hopkins, nos EUA. O sal é
adicionado para ajudar a preservar o produto e, principalmente, reforçar o
sabor. E ele acaba onde você menos espera. Está nos cereais de café da manhã
e até nos achocolatados - para deixar o chocolate menos enjoativo.
A Organização Mundial da Saúde recomenda o consumo de, no máximo, 6 gramas
de sal por dia para evitar pressão alta - e as doenças que ela causa. Os
brasileiros comem o dobro disso. De acordo com a Ação Mundial pelo Sal e
pela Saúde, uma organização que reúne membros em 81 países para tentar
diminuir o consumo global de sal, se a população mundial comesse apenas os
tais 6 gramas de sal por dia, haveria 24% menos casos de ataques cardíacos
pelo mundo e 18% menos derrames.
Os hábitos alimentares de hoje podem estar contribuindo também para um
aumento em alergias alimentares e doenças intestinais. Para você ter uma
ideia, o número de pessoas internadas em hospitais por causa de alergias nos
EUA quadruplicou entre 2000 e 2006 (de 2 600 para 9 500 pessoas por ano). O
maior suspeito aí é a falta de fibras da comida industrializada.
Uma pesquisa liderada por Paolo Lionetti, da Universidade de Florença,
analisou a flora intestinal de crianças italianas e comparou com a de
garotos de Burkina Fasso, na África, que têm uma dieta rica em fibras e
nunca viram comida processada. Então descobriu que as crianças africanas
tinham uma flora intestinal mais variada, capaz de protegê-las de uma série
de doenças. "Acredito que a dieta dos países ocidentais tem um papel
importante no aumento das alergias e infecções intestinais" , diz Paolo.
Os nuggets, pizzas congeladas e cia. não são o único problema. A comida
reconhecidamente saudável também tem seus pontos fracos. Dados dos governos
americano e inglês mostram quedas nas quantidades de ferro, vitamina C,
riboflavina, cálcio, zinco, selênio e outros nutrientes em dezenas de
colheitas monitoradas desde os anos 50. Hoje, você tem que comer 3 maçãs
para ingerir a mesma quantidade de ferro, por exemplo, que uma maçã
fornecia. São várias as razões que poderiam justificar esse fenômeno. Parte
da explicação pode vir dos critérios que usamos no melhoramento genético,
selecionando variedades de milho, soja e outras plantas segundo a
produtividade, não a qualidade nutricional. Pior: nossas plantas criadas à
base de fertilizantes, como crescem mais rápido, têm raízes menores e menos
tempo para acumular nutrientes além daqueles que vêm no próprio
fertilizante. Mais: poupadas de lutar contra insetos pelo uso de pesticidas,
estariam produzindo menos polifenóis - substâncias que usam como mecanismo
de defesa e que nos beneficiam por suas ações anti-inflamató rias e
antialérgicas.
*[image: 11020904b]VENENO NA FEIRA*
Tão fundamentais para a agricultura moderna quanto os fertilizantes são os
pesticidas. Ainda mais com as monoculturas sem fim de hoje. Imagine o que
acontece quando um inseto que tem na raiz da soja seu prato preferido topa
com hectares e mais hectares onde só existe essa planta? Ele não arreda mais
o pé dali, se reproduz vertiginosamente e traça tudo o que vê pela frente:
eis uma praga agrícola. Elas não são novidade. Mas claro que, com a demanda
por alimentos que existe hoje, seja ou não comida industrializada, não dá
para abrir mão deles.
Verdade - Dá para se proteger dos agrotóxicos veja como:
1. Prefira produtos locais
Frutas importadas, por exemplo, terão mais químicos para suportar a viagem e
chegar em bom estado ao Brasil.
2. Lave as frutas com esponja
Só água pode não ser o bastante para tirar os resíduos de pesticida.
3. Compre produtos da época
As frutas que não são da estação recebem mais agrotóxicos para durar além da
conta.
4. Evite a beleza exagerada
Desconfie da fruta que parece obra de arte. Ela pode ter recebido mais
agrotóxicos.
No Brasil, menos ainda. O surgimento de novas pragas, como a ferrugem de
soja (um fungo nocivo), transformou o país no maior consumidor de
agrotóxicos do mundo. Superamos os EUA nesse quesito em 2008, quando o
mercado de defensivos agrícolas movimentou mais de US$ 7 bilhões no país. A
façanha tem consequências. Em junho passado, a Agência Nacional de
Vigilância Sanitária (Anvisa) divulgou o relatório anual sobre a presença de
resíduos de agrotóxicos nas frutas, verduras, legumes e grãos que o
brasileiro consome. Das 3 130 amostras de 20 culturas de alimentos estudadas
pela agência em 2009, 29% apresentaram alguma irregularidade. Mas não é
motivo para pânico. "O fato de um alimento apresentar resíduos de pesticida
além do limite estabelecido não indica necessariamente risco para a saúde",
diz a toxicologista Eloisa Caldas, da Universidade de Brasília. O ponto,
segundo ela, é evitar uma dieta monótona. Quanto mais variada sua
alimentação, menos chance você tem de comer o mesmo pesticida. E isso
diminui o risco de intoxicação.
Mais seguro ainda é comprar alimentos orgânicos. Eles não recebem veneno em
nenhum momento, desde o plantio até a gôndola do supermercado. Nem veneno
nem fertilizante químico. Então são mais saudáveis para o ambiente. E a
quantidade de nutrientes por centímetro cúbico é maior. O problema é que a
produção da lavoura orgânica é, em média, 30% menor que a convencional - e
os vegetais que saem dela acabam 30% mais caros.
Estudos mostram que, mesmo assim, daria para alimentar o mundo só com
orgânicos. Mas só se o consumo de carne diminuir. O que uma coisa tem a ver
com a outra? É que boa parte do que plantamos é para alimentar animais de
criação. Uma peça de picanha, por exemplo, exige 75 quilos de vegetais para
ser produzida. Só que o mundo está cada vez mais carnívoro - a China, depois
de ter virado a 2ª maior economia do mundo, passou a comer 25% de toda a
carne do planeta. Hoje temos 20 bilhões de animais de criação, e a
perspectiva da ONU é que esse número vá dobrar até 2050.
Até existe um tipo de carne que não depende nada das plantações: os peixes
selvagens. Mas eles não são a alternativa. Primeiro, porque os mais nobres
estão acabando. Algumas espécies de atum e de bacalhau não devem escapar da
extinção. Segundo, porque existe o perigo da contaminação por mercúrio, pelo
menos para quem come certos peixes com frequência.
Cuidado: até os peixes mais saudáveis podem estar contaminados.
Nível de mercúrio
Quanto mais alta a concentração, maior o perigo para quem come com
frequência*
Moderado
Atum em lata
Bacalhau
Alto
Atum DE SUSHI
Anchova
Muito alto
Cação
Peixe-espada
Funciona assim: embora o metal possa ser encontrado em todos os ambientes, é
no meio aquático que mora o perigo. Graças à ação de bactérias, sobretudo em
zonas alagáveis, o mercúrio é transformado em sua forma orgânica e mais
perigosa: o metilmercúrio. Nessa versão, ele penetra nas algas. As plantas
aquáticas têm baixo teor de mercúrio, mas os peixes herbívoros (que se
alimentam dessas plantas) têm um pouco mais. E os predadores (que comem os
herbívoros) acabam com um índice bem maior. Quanto mais perto do topo da
cadeia alimentar, mais contaminado tende a ser o peixe. Não significa que
todo peixe grande esteja contaminado. Se ele vive numa região livre de
mercúrio, o que é comum, não tem problema. Mas claro: quem vê cara não vê
contaminação. Você só tem como saber o estado dos peixes que comeu se acabar
intoxicado - os sintomas são tremores, vertigem, perda de memória, problemas
digestivos e renais, entre outros. Não, não precisa parar de comer esses
peixes, só ter alguma moderação (veja no quadro). Mas o risco não deve
diminuir - o mercúrio é um resíduo das termelétricas. E a maior parte do
mundo ainda é movida a carvão...
*[image: 11020904c]*Peixes contaminados, overdose de gordura e açúcar,
fertilizantes que dependem de combustíveis fósseis e destroem
ecossistemas. .. Estamos no fim da linha, então? Sim.
Mas já estivemos antes. Ontem mesmo era 1960, o mundo tinha 3 bilhões de
habitantes e uma certeza: estávamos à beira de um colapso. Mais um pouco e
não teria comida para todo mundo. Mas não. Chegamos a 6,5 bilhões de pessoas
graças justamente à globalização dos fertilizantes e da comida
industrializada - a produção em massa barateou os alimentos. Esse boom
alimentício ficou conhecido como Revolução Verde. Agora, precisamos de mais
revoluções. Uma, a da conscientizaçã o sobre os perigos do fast food e da
comida processada, já começou. E a ciência tem feito seu papel também,
pesquisando alternativas que vão de plantas geneticamente modificadas que
dispensam fertilizantes e pesticidas até carne de laboratório - um meio de
entregar proteínas sem o intermédio de animais. Seria uma espécie de segunda
Revolução Industrial da comida. Não sabemos como nem quando ela vai
acontecer. Mas há uma certeza: não podemos ser bestas de esperar pelo
colapso.
Mito - Salmão com corante
O salmão é um peixe branco por natureza. O rosa vem da astaxantina, um
pigmento que existe em algas microscópicas. Primeiro o camarão come essas
algas, depois o salmão come o camarão e fica rosado. Só que os peixes
criados em tanques não comem camarão. Deveriam ficar brancos a vida toda.
Mas não. Eles são rosa também (menos, mas são). Corante? Não exatamente: o
que fazem é colocar astaxantina na ração dos peixes - ela pode ser sintética
ou vir daquelas microalgas mesmo.
• Cada 100 quilos de fertilizante químico emite 540 quilos de Co2 para ser
fabricado.
• 1/3 das emissões de gases-estufa vem da agropecuária.
• Em 1940, gastávamos 0,5 caloria de combustível fóssil para produzir 1
caloria de comida, hoje gastamos 20 vezes mais.
• Hoje, A área desmatada na Amazônia para criar GADO equivale à de 100
cidades de São Paulo.
• 2/3 de todos os antibióticos fabricados nos EUA vão para a alimentação do
gado. Isso cria superbactérias.
• 80% do pimentão vendido no Brasil tem mais agrotóxico que o permitido.
• Depois vêm: 56,4% - UVA / 54,8% - PEPINO / 50,8% - MORANGO
• As frutas anabolizadas por fertilizantes têm menos nutrientes como ferro,
vitamina C, cálcio e zinco que as orgânicas.
* Mesmo o consumo diário pode não trazer riscos. Mas, se alguns desses
peixes formam a base da sua alimentação, vale conversar com um médico sobre
os perigos. ** Os mais usados nos restaurantes japoneses são o atum-branco e
atum-amarelo. O de lata costuma ser da espécie skipjack, menor (e menos
suscetível ao mercúrio).
Para saber mais
O Dilema do Onívoro
Michael Pollan, Intrínseca, 2007.
Uma História Comestível da Humanidade
Tom Standage, Zahar, 2010.
sexta-feira, 1 de abril de 2011
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