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sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Xingu Livre! Tibet Livre. Somos todos filhos da mesma opressão.

Lei ordem e pro-grosso, amém.



E você samba de que lado? de que lado vc samba?
Mega-obras dessa, sem justiça social e ambiental é crime! e quem paga por isso? o futuro, a vida.

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Artigo - Respondendo à Turma da Globo: Por que temos que construir Belo Monte?

POR: Prof. Sebastião de Amorim - Departamento de Estatística - UNICAMP 


”A usina custará 30 bilhões de reais”

● Cuidado! Os engenheiros da Eletronorte, que há décadas estudam a questão e já avaliaram a obra, estimam o custo em R$19 bilhões.

Quem avalia em R$30 bilhões é a grande mídia, citando “o mercado”. Devem estar incluindo aí o tradicional super faturamento.

Com o qual a “turma da Globo” parece concordar.

● Agora, verifique sua última conta de luz: você paga algo em torno de R$0,40 por quilowatt.hora (kWh) consumido.

Em sua versão plena a represa de Belo Monte cobrirá uma área de cerca de 1200km² (não apenas 640km²) e gerará, de forma estável, 11,3 Giga watts (ou 15,4 milhões de HP) de potência. Ou seja:


área inundada=1200 km2 ↔ potência gerada=11,3 Gigawatts

● Nesse ritmo, ela produzirá, por ano, 100 bilhões de kWh de energia. Entregue ao consumidor final (ou, como se diz, na ponta do consumo) o valor gerado é de R$40 bilhões, por ano, todo ano, por toda a duração da usina.

Produção anual da usina: 100 bilhões de kWh ↔ R$40 bilhões

Então?
Você acha caro o custo total de R$19 bilhões?

O custo estimado não é R$30 bilhões.
Vamos dizer NÃO ao superfaturamento. 

“A usina gerará, de fato, apenas um terço de sua potência máxima”

● Numa usina hidroelétrica, o papel da represa é regular o fluxo d’água ao longo do ano, estocando o excesso na estação chuvosa. Com essa “poupança” hídrica, ela mantém um fluxo estável nas turbinas, mesmo na estação seca.

● Na Amazônia, como em todo o Brasil, o fluxo dos rios varia bastante ao longo do ano: muita água na estação chuvosa e menos água na seca. No Nordeste alguns rios chegam a secar completamente nas estações secas.

● Para garantir um fluxo estável durante todo o ano, a represa de Belo Monte terá que cobrir uma área de 1100 km2. Equivalente a 2 meses do desmatamento caótico, a motosserra e fogo e geralmente ilegal, verificado em 2010. Ou 2 semanas do de 2004.

● Pressões de organizações internacionais, que se apresentam como defensoras do meio ambiente, associadas a diversas organizações e celebridades nacionais, muitas delas movidas por sentimentos sinceros, exigem que Belo Monte não seja construída.

● Por não abrir o debate ao grande público, buscando apoio popular amplo, o governo fica em posição enfraquecida, e tem medo de peitar essa pressão.

● Por isto assume uma opção de compromisso, extremamente danosa aos mais legítimos interesses do povo brasileiro. Segundo esta opção restrita:

A usina será construída, mas numa versão pequena,
com a represa cobrindo área de apenas 600km².



● Assim reduzida, a represa não estocará água suficiente nas chuvas, e a usina perderá potência nas secas. Nos meses de seca, o reservatório perderia fôlego e a potência média ao longo do ano seria 60% menor.

● Curiosamente, este que agora é citado como um “grave problema da usina”, seria uma conseqüência da adoção da versão reduzida, exigida pelos opositores do projeto.

● Com seu projeto original fortemente comprometido, a terceira maior hidrelétrica do planeta ficaria reduzida a uma potência média equivalente a menos que 40% do seu potencial pleno original.

● 100 bilhões de kWh por ano, equivalentes a R$40 bilhões de valor gerado na ponta do consumo, ficariam reduzidos a 35 bilhões de kWh e R$13 bilhões. Certamente uma perda gigantesca para o País.

A Usina Inundará 640 km2 de mata virgem

● Como vimos, na sua versão correta, a área inundada será cerca de 1100km2. 

● Agora, dê uma olhada na “floresta virgem” que a represa cobrirá. Faça uma “viagem aérea” sobre a área da usina. 

● Use o “Google Earth”. Vá para o ponto de coordenadas 3o12’ 42” S e 52o 12’ 42” O. Mantenha-se, inicialmente, a uma altura de 200km. Você estará sobre a cidade de Altamira e a grande volta do Rio Xingu (Figura 1). 

● Observe a região embaixo. Desça a altitudes menores para poder apreciar detalhes em bom nível de resolução. Parte da região está coberta por fotos de excelente resolução; outras, nem tanto. Mas você verá que resta muito pouco de mata virgem na região. A imensa maioria da área que será inundada, já foi desmatada, aparentemente com retorno econômico e social pífios. 

● A verdade é que a represa cobrirá muito pouca área de floresta virgem. Na maior parte serão áreas já há muito desmatadas, e sem retorno econômico ou social aparentes. 

● Preste atenção particularmente numa grande mancha retangular começando a oeste de Altamira, e se estendendo por 75km na direção sudoeste. 

● Um retângulo quase perfeito, de área, por coincidência, igual à que será inundada pela usina na sua versão plena. Quase não há árvore nele. Também não se vê, nesse retângulo, vestígios significativos de atividade econômica ou de valor, que redimam, que justifiquem o desmatamento. Na sua extremidade oeste há um pequeno vilarejo cujo nome homenageia o ditador Garrastazu Médici. 

● Curiosamente, o processo de desmatamento que corroeu a Selva Amazônica no entorno do Xingú, na região de Belo Monte passou em grande parte despercebido, até que se começou a falar a sério da usina de Belo Monte. 

●No ano de 2010 apenas, segundo o INPE, foram desmatados, na Amazônia Brasileira, cerca de 7.000km2. Dá uma Belo Monte a cada 2 meses. Em 2004 foram 28.000km2, uma Belo Monte a cada duas semanas, de desmatamento caótico, a motosserra e fogo, com retorno, econômico e social, desprezíveis.

Figura 1 - desmatamento na Amazônia - em azul, a área total da represa

Figura 2– Um trecho da foto acima, visto de cinco mil metros de altura, mostra o estado da “floresta virgem”, na área da Usina.

Figura 3 – A região de Belo Monte vista de 200km de altura, no Google Earth. Note o nível do desmatamento, particularmente o retângulo de 1000km2, a oeste de Altamira.



Quem pagará pela construção da Usina?

Uma das mais intrigantes questões levantadas pela “Turma da Globo” foi, curiosamente, respondida corretamente por eles mesmos: 

“Quem pagará pela construção da usina!? Você... o palhaço aqui!” 

E nos chamou palhaços porque nós é que vamos pagar. 

Realmente, somos nós que pagaremos a Usina. Com dinheiro, nosso, do Povo Brasileiro, do Tesouro Nacional. Felizmente, graças à progressiva recuperação do Estado Brasileiro na última década, temos dinheiro para bancar a obra, sem precisar de financiamentos estrangeiros nem de submeter nossa soberania ao FMI ou Banco Mundial. 

E parece MUITO BOM, apesar da opinião aparentemente contrária da “Turma da Globo”. Vejamos, se eles têm razão quanto ao “palhaço”. 

Como poderia ser diferente? Com dinheiro de bancos privados nacionais e estrangeiros? 

O problema é que, aí, eles iriam ser donos da Usina... pelo menos por um período de uns 30 anos. O tal regime de concessão: eles entram com a grana, mas ficam com a Usina. 

Como vimos, a Usina Hidrelétrica de Belo Monte, é um belíssimo projeto... do ponto de vista do retorno econômico, mesmo. Você investe R$19 bilhões e produz, na ponta do consumo, R$40 bilhões... por ano! E a usina estará lá, funcionando, pelos próximos 100, 200 anos. Nenhuma outra fábrica tem tal esperança de vida útil. De forma perfeitamente limpa e renovável. É claro que, além da geração, ainda tem transmissão e distribuição, antes da energia chegar às nossas casas, às avenidas, aos metrôs, às fábricas, aos hospitais, aos estabelecimentos comerciais, às escolas. Muita empresa pegará parte do resultado. Dos R$0,40 por kWh que você paga (verifique sua conta de luz), uns 10 centavos são imposto. Imagine: são R$10 bilhões de arrecadação para o Governo Federal. Imagine que dos R$30 bilhões restantes, um terço apenas fique com a Usina (a EletroNorte, a Eletrobrás, o Tesouro Nacional). São mais R$10 bilhões por ano... R$20 bilhões, por ano. Para R$19 bilhões totais investidos. 

Um belíssimo negócio, sem dúvida. 

Queremos, sim, pagar por ele, e queremos que ele seja do povo Brasileiro. Não de alguns grupos privados nacionais/internacionais. 

Aliás, o regime de concessão que se discute nesse momento para Belo Monte é realmente inovador. Nós (via financiamento subsidiado do BNDS, com dinheiro público, isto é, nosso!) entramos com o dinheiro, e o grupo empresarial vencedor pegará a grana e a Usina. Pagarão em parcelas suaves, com parte da renda. {Cuidado, Marcos Palmeira, Bruno Mazeo. Vocês podem estar, inadvertidamente, jogando contra o patrimônio. Contra o Povo Brasileiro... o seu povo, afinal.} 

Obviamente, não devemos aceitar isto: Nós entramos com o recurso natural e com os recursos humanos e financeiros. Nós somos os donos da Usina e dos seus gigantescos resultados econômicos. 

Agora, a propósito dos R$ 19 bilhões de custo da Usina, é surpreendente que a “Turma da Globo” não tenha se manifestado com respeito à manchete do jornal O Estado de S. Paulo, do dia 08set2011, reproduzida na Figura 4.

Figura 4 - matéria de primeira página d'O Estado de S. Paulo, do 08-set-2011. Demos praticamente uma Belo Monte para banqueiros falidos. Parece que ninguém achou importante protestar. Doar bilhões para alguns bilionários pode, né?

A Energia hidroelétrica não é uma energia LIMPA

Uma usina Hidroelétrica é um tipo curioso de fábrica: Ela usa água como matéria prima e produz, como resíduo industrial, ... água. Mais nada. Nada de poluição, de gases tóxicos, nada. A mesma água que entra – a matéria prima – é a que sai, como resíduo. Sai exatamente tão limpa como entra. Curioso, não? 

A única diferença: a matéria prima é água em local alto – portanto tem energia potencial – e o resíduo é a mesmíssima água, só que em local mais baixo, portanto sem aquela energia potencial. 

A energia potencial extraída da água que entra nas turbinas, faz girar as turbinas, é transformada, portanto, em energia mecânica. Há aí, é claro, uma pequena perda por atrito. A rigor, a água na saída da turbina é um pouquinho mais quente. Um centésimo de grau centígrado mais quente, talvez. 

Estas giram os geradores, que produzem energia elétrica (Quatro mil litros de água, descendo de uma altura de 100 metros, entrega aproximadamente 1kWh de energia mecânica às pás da turbina. Dá dois banhos de 12 minutos cada em chuveiro de 2500w; ou para manter uma lâmpada de 25w, dessas modernas, acesa por 40 horas. E você paga R$0,40 por essa energia, entregue em sua casa. É muito engenhoso.) 

A disponibilidade de água em locais altos, se constitui em riquezas naturais das nações, tão concretas como as reservas de petróleo, só que eternamente renováveis. E as reservas de potencial hidrelétrico do Brasil são invejáveis. 

As turbinas capturam a energia potencial da água e a transformam em rotação, em energia mecânica. Os geradores transformam esta energia mecânica em energia elétrica. O processo é muitíssimo engenhoso e, no fundo, de uma simplicidade surpreendente. 

A Energia Elétrica, extremamente versátil, é transportada, injetada na rede nacional de transmissão, sendo disponibilizada em todo o país, de acordo com as necessidades sazonais de cada região. 

Na verdade, linhas de transmissão adicionais deverão ser construídas para integrar Belo Monte à Rede Nacional. Naturalmente. 

Limpíssima e absolutamente renovável, a construção da usina implica em algum dano ambiental, certamente. 

Populações ribeirinhas, vivendo nas áreas a serem inundadas, deverão ser realocadas. 

1100 km2 de área serão inundados. Corresponde à área desmatada a cada dois meses em 2010, e a cada 2 semanas em 2004. 

A vegetação inundada morrerá e, ao longo dos anos, irá se decompondo e lançando gás metano na atmosfera. Este é um gás de estufa que, na atmosfera, com o tempo se transforma em gás carbônico. Isto, aliás, acontece com o desmatamento a motosserra e fogo, que aliás, já ocorreu na região. Só que muitíssimo mais rápido, sem o estágio metano, e sem retorno econômico ou social significativos. 

Vejamos a alternativa: 

Para crescer 5% ao ano, o Brasil precisará de aumentar em pelo menos 25% sua produção de EE até 2015. Sem construir Belo Monte, a solução seria a construção de 113 usinas termoelétricas de 100 Mega watts cada. Essas usinas queimariam por ano milhões de toneladas de carvão mineral (importado e caro). 

Termoelétricas não são nada limpas. Pelo contrário, elas são muito sujas! 

Cada milhão de toneladas de carvão queimado jogará na atmosfera 3,67 milhões de toneladas de gás carbônico, mais uma lista tétrica de gases poluentes, tóxicos diversos derivados do Nitrogênio e do Enxofre. Chuva ácida e poluição pesada traria danos gigantescos ao meio ambiente. 

O brasileiro consome, em média, pouquíssima energia elétrica. Nosso consumo domiciliar médio é pífio quando comparado ao de países como Grécia e Portugal, para não falar dos países mais ricos, como França, Austrália, Itália, Canadá e Estados Unidos. 

Com a melhoria das condições sociais das camadas mais pobres da população, estamos vendo uma alta acelerada do consumo domiciliar médio. Consumo de EE está associado a bem estar, a padrão de vida.

As comunidades indígenas e demais populações ribeirinhas da região serão prejudicadas

Também aqui a “Turma da Globo” acertou na mosca, embora de uma forma curiosa, ao avesso avesso. 

Como vimos, Belo Monte produzirá, em regime permanente, um fluxo colossal de riqueza. Alem, é claro, de injetar na Máquina Brasil, energia limpa e abundante. 

É claro que grupos econômicos nacionais e estrangeiros salivam quando pensam na possibilidade de pegarem este imenso patrimônio econômico da Nação Brasileira, em concessão por 30 anos, principalmente considerando que não precisarão de entrar com capital próprio. 

A luta pela não construção de Belo Monte é uma LUTA ERRADA, contrária aos interesses do Povo Brasileiro em geral, e daqueles diretamente afetados, em particular. 

Temo pelos nativos e outros povos da região, nossos irmãos. 

Quando esses movimentos ambientalistas se cansarem do tema e jogarem a toalha, como já jogaram com relação à Transposição do São Francisco.. Sendo seduzidos em direção a um beco sem saída, a uma opção de luta sem perspectiva de vitória, ele serão, no final, abandonados e esquecidos por esses mesmos movimentos que terão, assim, as suas profecias sombrias plenamente realizadas. 

E Belo Monte seria apropriada por grupos privados: 100 bilhões de kWh, R$40 bilhões por ano de riqueza natural do povo brasileiro sendo privatizados, apropriados pelo grande capital. 

Como pode vir a acontecer com o petróleo do Pré-sal, desde que o tema saiu da pauta, caiu da moda.

Uma proposta de Luta por Belo Monte

1. Exploração plena do potencial hidrelétrico de Belo Monte
2. Construção da Usina com recursos públicos – hoje disponíveis, graça à progressiva recuperação econômica do Estado Brasileiro – com operação e exploração pelo complexo estatal Eletrobrás
3. Construção e Operação em regime de plataforma, impedindo o processo de urbanização caótica descontrolada do entorno da usina. Investimento sério na infra-estrutura urbana em Altamira, transformando-a em uma cidade modelo para a Amazônia.
4. Construção de amplo e eficaz sistema lateral de passagem ao largo da represa, que permita o trânsito fácil de espécies aquáticas ao longo do rio.
5. Investimento social dos recursos gerados.
a. Sustentação financeira de um sistema eficaz de Proteção e Defesa da Floresta Amazônica, contra o processo de devastação caótica e irregular da mesma.
b. Redução a zero do processo de desmatamento caótico, a motosserra e fogo, na Amazônia (hoje no ritmo de 6.000 km2por ano), antes da inauguração da usina.
c. Tratamento digno e generoso das populações nativas deslocadas pela represa:
i. Concepção e construção de rede de aldeias/vilas, com apoio e orientação de antropólogos, arquitetos, sociólogos, agentes de saúde, e a participação direta de representantes das comunidades envolvidas, com:
1. Suprimento de eletricidade (naturalmente!) e água tratada;
2. Serviços de telefone;
3. Escola;
4. Posto Médico;
5. Centro Cultural com biblioteca, videoteca, discoteca;
6. Conexão Internet banda larga;
7. Campo de pouso... etc
d. Suporte logístico e financeiro a um Centro Avançado de Estudos Amazônicos, no entorno da usina, a ser operado por um consórcio de universidades e centros de pesquisas brasileiros (INPA, EMBRAPA, INPE, FIOCRUZ, etc.) e internacionais conveniados (em especial das nações Amazônicas).
e. Fomento a programas eficazes de recuperação de áreas ambientais degradadas em todo o país, com ênfase nas bacias hidrográficas, em particular a Bacia do S. Francisco.
f. Implantação de Base Militar na área da Usina, integrada ao Sistema Nacional de Defesa da Amazônia*.
g. Apoio financeiro a programas nacionais de racionalização e eficiência do uso de energia.
h. Apoio financeiro a sistemas de transporte público (metrôs nas principais metrópoles brasileiras: S. Paulo, Rio, Brasília, Salvador, Belo Horizonte, Manaus, Porto Alegre, Recife, Curitiba, Fortaleza, Goiânia).
i. Apoio financeiro de programas de pesquisa científica e tecnológica sobre novas fontes de energia e novos equipamentos mais eficientes, em universidades e centros de pesquisa brasileiros.

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Matriz Energética: Plano Decenal de Expansão de Energia – 2010/2019

Um interessante tema para debate..

http://matutacoes.wordpress.com/2011/02/17/matriz-energetica-plano-decenal-de-expansao-de-energia-20102019/

Belo Monte e a soberania: Os países nórdicos têm projetos seculares de ocupar a África e a América Meridional. Esse projeto se reanima com os riscos da intensa atividade vulcânica sobre o hemisfério norte

reproduzido do Brasilatual (aqui)

Por: Mauro Santayana

Depois de uma batalha judicial que pode ter ainda desdobramentos, o governo colocou em licitação a construção e a concessão de exploração da usina hidrelétrica de Belo Monte, no Xingu, que foi vencida pelo consórcio chefiado pela estatal Chesf. Se o governo não houvesse considerado a construção da usina uma questão de honra nacional, provavelmente os interesses estrangeiros, inimigos do nosso desenvolvimento independente, impediriam a importante obra, necessária à ocupação nacional e ao desenvolvimento da região amazônica.

Desde o século 19 os europeus e norte-americanos tentam ocupar a Amazônia, em nome da “civilização”, em nome de Deus (com os protestantes liderados pelos Rockefeller) e, mais recentemente, em nome da preservação do meio ambiente. Temos resistido com dificuldades a essa penetração. Houve governos, como o do marechal Dutra (1946-1951) que chegaram a aceitar a internacionalização da Amazônia. Outros, como Arthur Bernardes (1922-1926), ajudaram a resistir.

Antes a grande tentativa fora a do Acre: americanos e ingleses constituíram a empresa The Bolivian Syndicate e obtiveram da Bolívia o direito de constituir um estado independente na região. A empresa teria o direito de impor as suas leis no território e de cobrar impostos internos e alfandegários, em troca de 40% de toda a produção de borracha; os outros 60% seriam da Bolívia. A região se encontrava ocupada por 60 mil brasileiros, muitos dos quais se armaram sob o comando do gaúcho Plácido de Castro. O Exército boliviano, para cumprir seus compromissos com os estrangeiros, invadiu o território e foi rechaçado. O governo brasileiro, com o chanceler Rio Branco à frente, ao mesmo tempo em que deslocava tropas para o Acre, negociou com La Paz e os acionistas do empreendimento e impôs a definitiva soberania.

Durante os últimos anos, principalmente com Collor e Fernando Henrique, a Amazônia se abriu a ONGs internacionais e à presença sempre atrevida de estrangeiros. São esses estrangeiros que – sempre pensando em preservar o território para seu uso futuro – se levantam agora contra a construção da usina de Belo Monte. Um deles é o cineasta James Cameron, autor de Avatar, um filme de ficção científica destinado, segundo alguns observadores, a preparar a opinião mundial para aceitar uma intervenção internacional na Amazônia. Cameron declarou com insolência que a ideia de seu filme veio de uma visita à Amazônia e de seu objetivo de “preservar a região”. Se um cineasta brasileiro chefiasse um protesto diante do Pentágono contra a guerra do Iraque seria preso e deportado. No Brasil ele foi festejado. E continua afirmando, com insolência, que “impedirá” a construção de Belo Monte.

Ao tomar a decisão de construir a usina contra todos esses opositores, o governo Lula reafirma a soberania sobre a Amazônia, de maneira firme. O governo tomou todas as medidas para que o impacto sobre a natureza fosse mínimo. Poucas áreas serão alagadas – e não haverá um grande lago, como o de Tucuruí ou o de Itaipu. Embora houvesse defensores de que se construíssem várias represas menores, a disseminação das obras agrediria mais a natureza do que uma só. A energia de Belo Monte é absolutamente necessária ao país e à melhoria da vida de centenas de milhares de brasileiros que vivem na região em situação de miséria.

Alega-se que os índios serão agredidos em sua cultura. Mas não há, a rigor, mais cultura indígena na região, ocupada por brancos, infestada de agentes dissimulados que continuam a cobiçar as riquezas amazônicas. O problema é de outra natureza, é a do espaço vital (o mesmo “espaço vital” que pariu o nazismo alemão). Os países nórdicos têm projetos seculares de ocupar o sul do mundo – os dois grandes continentes da África e da América Meridional. Esse projeto se reanima agora, com a probabilidade de que a intensa atividade vulcânica esperada no hemisfério norte torne inabitável grande parte da Europa e da América do Norte. Não podemos transigir, para não voltarmos a ser colônias.  

Belo Monte: desenvolvilmento hidrelétrico sustentável

Por Marcelo Corrêa

Do Valor, 22/06/2011, p. A-14

 A Usina Hidrelétrica Belo Monte, cujas obras se iniciam neste momento no rio Xingu, no Pará, é um exemplo contundente da possibilidade de se ter energia oriunda de aproveitamentos hidráulicos e, ao mesmo tempo, estabelecer garantias aos direitos sociais e respeito ao meio ambiente. O projeto final da usina, que recebeu no último dia 1º de junho a Licença de Instalação (LI) pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), foi elaborado com a preocupação de mitigar os impactos sociais e ambientais da obra, garantindo a elevação do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) da região do Xingu.

É verdade que Belo Monte, que será a maior usina 100% brasileira, mudará a condição de desenvolvimento da região. Nem poderia ser de forma diversa, pois se trata da maior obra atualmente em construção no Brasil, com capacidade de geração de 11.233,1 MW e energia assegurada de 4.571 MW. Mas, é também a alternativa mais econômica, eficiente e de alta confiabilidade para aumentar a oferta de energia elétrica e ajudar no esforço de desenvolvimento, pois energia representa indústrias, empregos, saúde, escolas, cultura e, sobretudo, maior conforto e bem-estar para todos os brasileiros.

O projeto de Belo Monte prevê uma série de ações para reduzir o impacto da obra e para transformar a usina em um fator de desenvolvimento econômico e social para a região do Xingu. Com tais ações, a população de Altamira e dos dez municípios na área do entorno da usina poderão experimentar, no curto prazo, uma elevação da qualidade de vida que, em condições normais, levaria décadas para ser alcançada. Para as cerca de 5 mil famílias que moram atualmente em palafitas, sem qualquer condição de saneamento básico e que anualmente enfrentam problemas com a cheia do rio Xingu, serão construídas casas de alvenaria, com abastecimento de água, rede de esgotos, drenagem pluvial, áreas de lazer e postos de saúde. Também estão sendo construídas unidades de saúde, creches e escolas em vários municípios localizados na área do empreendimento.

A usina é um paradigma tanto no uso de novas tecnologias quanto na observância da legislação ambiental

Ainda, as obras da usina serão fundamentais para garantir a absorção da mão de obra local, sendo para isso já criados centros de treinamento A expectativa é de que, no pico da obra, Belo Monte empregue diretamente 18,7 mil pessoas, gerando ainda o triplo de empregos indiretos. Muitos desses empregos serão absorvidos pelos 360 mil habitantes da região.

Também estão sendo adotadas providências para evitar o impacto ambiental com a construção do reservatório, com tamanho estimado em 502,8 km2.

O projeto de Belo Monte prevê o resgate prévio da flora existente na área de inundação, evitando o problema de emissão de gases, resultante da desintegração de materiais orgânicos. Há vários programas para preservar e manter as áreas indígenas. Em hipótese alguma o projeto prevê inundação dessas terras e nem a realocação de qualquer comunidade indígena. Essas terras permanecerão intocadas, tanto na fase de construção quanto na fase de operação, prevista para iniciar-se em 2015. A vazão do Xingu estará preservada, mesmo na época de seca, afastando-se definitivamente a possibilidade do rio secar e a população ribeirinha ficar sem o seu sustento.

A opção mais viável para o país continua sendo a hidreletricidade, em razão de seu baixo custo de operação e da disponibilidade hídrica do país. Apesar do desastre da usina nuclear de Fukushima, no Japão, ter sido causado por fatores naturais, a expansão de usinas nucleares deverá ser impactada até que os efeitos desse acidente possam melhor ser diagnosticados. As energias solar e eólicas são complementares, sendo que mesmo que usadas em larga escala não eliminam a necessidade de expansão da capacidade de geração de outras fontes. Termelétricas movidas a óleo combustível, diesel, carvão mineral, ou, na melhor das hipóteses, a gás natural, cumprem o seu papel como complemento à matriz energética, mas não como substituição à hidreletricidade, por seu custo mais elevado e emissão de dióxido de carbono.

Não se pode desprezar o potencial hidráulico do Brasil, com cerca de 260 mil MW, dos quais 40,5% estão localizados na nova fronteira hidroenergética brasileira, a Bacia Hidrográfica do Amazonas. Esses números ainda são uma aproximação do real potencial, uma vez que apenas 63% desse potencial foram inventariados. Um levantamento da Empresa de Planejamento Energético (EPE) mostra que há 16.000 MW disponíveis na Amazônia, além de Belo Monte.

Belo Monte, assim como as novas usinas em construção, dentre as quais a Usina Hidrelétrica Teles Pires, de 1.820 MW, no Mato Grosso e as de Jirau (3.450 MW) e Santo Antonio (3.150 MW), ambas em Rondônia, representam um paradigma no modelo energético brasileiro, tanto pela utilização de novas tecnologias quanto na observância da rigorosa legislação ambiental e na execução das medidas antecipatórias e das condicionantes impostas pelas licenças ambientais.

Obedecidos os critérios para a mitigação dos efeitos sócio-ambientais, não há como se opor à implantação e à construção de hidrelétricas na Amazônia, obras que beneficiarão as populações das respectivas regiões e a toda a população brasileira, pois abrir mão deste potencial energético poderá significar abrir mão do desenvolvimento da região.

Marcelo Corrêa é membro do conselho de administração da Norte Energia S/A e diretor-presidente da Neoenergia S.A.

Amazônia, energia elétrica e sustentabilidade

Por Joaquim Francisco de Carvalho e Ildo Luís Sauer (Do Valor de 04.10.2011)

Imagens colhidas de satélites meteorológicos mostram que o clima da Amazônia exerce forte influência sobre os regimes hidrológicos e pluviométricos de toda a América do Sul, e garante a estabilidade climática, fluvial e pluviométrica – portanto, a sustentabilidade da agricultura – de todo o Brasil.

Assim, a Amazônia vale pela importância de seus próprios ecossistemas. Enquanto não se acumularem e testarem suficientes conhecimentos científicos e técnicos sobre os intrincados ecossistemas regionais, a Amazônia deve ser mantida em sua integridade, evitando-se, principalmente, a pecuária extensiva, a ampliação de monoculturas de exportação (soja, milho etc.), a exploração madeireira e a implantação de novos projetos de mineração.

Apesar da polêmica desencadeada pelas organizações ambientalistas, a alternativa mais interessante para se desenvolver a Amazônia, mantendo a sua integridade, seria a de aproveitar o potencial dos recursos naturais renováveis da região, com projetos de turismo ecológico, extrativismo e geração de energia elétrica. Além de serem excelentes geradores de empregos e uniformizarem a distribuição de renda na região, o turismo ecológico e o extrativismo dependem da integridade do ecossistema.

Quanto è geração de energia elétrica, a Amazônia tem um dos maiores potenciais do mundo e, mediante políticas inteligentes e rigorosamente aplicadas, as empresas públicas e o empresariado do setor de geração elétrica deverão se transformar nas maiores defensoras do ecossistema amazônico. Alterações causadas por desmatamentos para abrir terrenos para plantações de soja e milho, criação de gado, projetos de exploração mineral e outros comprometerão o potencial hidrelétrico, inviabilizando as próprias usinas.

De acordo com a Empresa de Pesquisa Energética (EPE), o potencial hidrelétrico brasileiro é de 268 GW, dos quais apenas 30% estão em aproveitamento. A região amazônica detém 65% do potencial não aproveitado.

Admitamos que, por motivos de caráter social e ambiental, os planos de expansão do sistema elétrico sejam reformulados, para se limitar em 80% o potencial hidrelétrico a aproveitar na Amazônia – e que as hidrelétricas a serem implantadas naquela região alaguem 0,2 km2 /MW. O que é uma hipótese conservadora, pois a maioria dos aproveitamentos existentes em outras regiões e em construção, na própria Amazônia, apresenta uma relação bem menor entre área inundada e potência instalada. Neste caso o aproveitamento do potencial hidrelétrico amazônico ocuparia cerca de 0,4% da área da região, ou seja, menos do que os grandes projetos agrícolas ou de pecuária.

Mesmo assim o Brasil poderá adicionar uma capacidade hidrelétrica de 148,7 GW aos 79,3 GW já instalados. Somando-se a isto os 17 GW das pequenas hidrelétricas, teremos uma capacidade hidrelétrica total de 245 GW.

No entanto, as ONGs ambientalistas optam por uma posição fundamentalista, baseada no dogma de que a Amazônia é intocável. É certo que os ecossistemas amazônicos são delicados, mas isso não significa que ficarão estacionados em sua condição primordial, se é que se possa falar em condição primordial de sistemas que se vêm alterando desde a origem, como todos os ecossistemas terrestres.

Com ou sem hidrelétricas, os povos indígenas (que fazem parte do ecossistema amazônico) vão continuar com as derrubadas e queimadas de matas, tradicionais em sua agricultura. E ainda há as mineradoras, o agronegócio e os pecuaristas, sobre os quais as ONGs ambientalistas ficam silenciosas, preferindo vociferar contra o aproveitamento do potencial hidrelétrico, que poderá dar ao Brasil um sistema elétrico limpo e sustentável.

A interligação do sistema hidrelétrico com o sistema eólico permitiria que parte da energia gerada pelas centrais eólicas ficasse “armazenada”, na forma de água acumulada nos reservatórios hidrelétricos – de maneira semelhante às malhas termo-eólicas de alguns países europeus, nas quais a energia dos parques eólicos permite que se economize gás natural ou óleo combustível. Segundo o Centro de Pesquisas em Energia Elétrica da Eletrobras, o potencial eólico brasileiro (com turbinas em torres de 50 metros) é de 143 GW. Note-se que, com torres mais altas, o potencial é maior.

O sistema hidroeólico poderia operar em sinergia com usinas termelétricas a biomassa, pois a frota automotiva brasileira é em grande parte alimentada com etanol, forçando a produção do bagaço de cana em escala suficiente para alimentar termelétricas de pequeno e médio porte, totalizando, em conjunto, uma capacidade da ordem de 15 GW, segundo a União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica).

Assim, aproveitando apenas fontes primárias limpas e renováveis, o sistema interligado hidroeólicobiotérmico teria uma capacidade conjunta de 403 GW, podendo gerar 1.589 GW por hora firmes por ano, admitindo-se, conservadoramente, que o fator de capacidade do sistema integrado será igual à média ponderada dos fatores de capacidade de cada sistema isoladamente, que é 0,45.

Por outro lado, de acordo com o IBGE, a população brasileira deverá se estabilizar em 215 milhões de habitantes, por volta do ano 2040, de modo que o sistema integrado hidroeólicobiotérmico teria um potencial suficiente para oferecer à população 7.390 kWh por habitante por ano, equiparando o Brasil a países de alto nível de qualidade de vida, tais como a França, a Alemanha e a Grã-Bretanha.

A reserva de segurança do sistema hidroeólicobiotérmico seria constituída pelas termelétricas a gás já existentes nas diversas regiões do país. Portanto, ao contrário de alguns países europeus e do Japão que, em médio prazo, não têm melhor alternativa, o Brasil não precisa correr o risco de gerar em centrais nucleares a energia elétrica de que precisa ou precisará.

Joaquim Francisco de Carvalho é pesquisador associado ao IEE/USP e ex-diretor industrial da Nuclen (atual Eletronuclear).

Ildo Luís Sauer é diretor do IEE/USP e ex-diretor de energia e gás da Petrobras.